
Stop Trump Now! Imagem reproduzida de postagem do dia 12/01/2026 das redes sociais do Party for Socialism and Liberation
Não costuma ser recomendável, em reflexões tão curtas, tratar de mais de um assunto (e talvez não chegue a tanto), mas é importante estabelecer uma linha de raciocínio e um nexo causal razoável e lógico entre dois fatos ou fenômenos que parecem estar, de fato, intrinsecamente ligados:
- a necessária reação contra a investida banditista de Trump — agressões, bombardeios, ameaças, saques, prisões, sequestros —, materializada em um movimento global de “Stop Trump Now!”, multifacetado e politicamente polissêmico, envolvendo desde a pressão sobre governos nacionais e órgãos multilaterais até a mobilização real, intensa e permanente de denúncia e combate à política imperialista, colonialista e fascista do mandatário estadunidense;
- e a defesa aberta e ativa da autonomia, independência e soberania dos povos e nações sob a mira dos canhões das potências capitalistas, notadamente os EUA.
A combinação de fatores que, convergentes e sinérgicos, fortalecem e potencializam políticos e políticas como Donald Trump — confesso pirata dos recursos alheios, fanático extremista das ideias de supremacia racial branca, senhor da guerra e da morte —, em razão proporcionalmente inversa, traz também a possibilidade de forjar uma ampla frente pela paz, pelos direitos da humanidade e em defesa da autodeterminação dos povos.
Essa frente deve ter acento tanto na salvaguarda da integridade territorial, política, econômica e populacional das nações alvejadas ou cobiçadas pelos ladrões de casaca quanto no direito à existência e à afirmação de grupos étnicos, sociais e políticos diante de uma versão agudizada e mil vezes mais perigosa do “pensamento único” do século XXI — um amálgama putrefato dos piores aspectos da ideologia neoliberal, acrescidos dos repugnantes ideários racistas e nazifascistas em geral.
Nunca o problema da autonomia e do desenvolvimento soberano, democrático e sustentável das nações que historicamente foram submetidas a séculos de dominação, exploração e opressão capitalista teve contornos tão nítidos.
Parafraseando Bertolt Brecht, “os poderosos fazem planos para mil anos”, e as experiências e modelos que tenham como DNA o nacional-desenvolvimentismo ou o horizonte socialista tornam-se empecilhos e inimigos, convertendo-se em objeto e objetivo da fúria bélica e da destrutividade de sua maquinaria militar.
A questão da independência e da libertação nacional encerra hoje o grave paradoxo de que é vital lutar mesmo sendo formalmente independente e livre.
Stop Trump Now! pode e deve conduzir uma ação particular e geral ao mesmo tempo. Levar esse criminoso condenado a júri no Tribunal Penal Internacional é imperativo para, minimamente, resguardar qualquer traço de funcionalidade do sistema internacional de relações. Se bem articulado, pode — por que não? — servir de esteio e força motriz para discutir e realizar transformações qualitativamente positivas e superiores nos arranjos globais relacionados ao mundo do trabalho, à governança compartilhada e à manutenção da paz e da segurança coletivas, entre outros temas e pautas de interesse e responsabilidade comuns.
Sem incorrer no risco do exagero ou do alarmismo, a degradação da diplomacia política — substituída desavergonhadamente pela política do porrete e das canhoneiras, assessorada por mentiras sistemáticas e sistêmicas, emolduradas por discursos de ódio, preconceito e extermínio — constitui o preâmbulo de uma conflagração geral, mesmo quando não declarada. A qualquer pessoa minimamente informada e consciente, não é difícil estabelecer paralelos com os momentos que antecederam as guerras mundiais.
Stop Trump Now!
Alex Saratt é o 1° vice-presidente do Cpers, Secretário Adjunto da CNTE e Diretor de Comunicação da CTB RS



