PUBLICADO EM 14 de jan de 2026

Colunista: Alex Saratt

Stop Trump Now! E as lutas de libertação e independência nacional

Alex Saratt fala sobre como o Stop Trump Now! busca defender a autonomia e a soberania contra as ações de Trump no cenário internacional.

Stop Trump Now! Imagem reproduzida das redes sociais do Party for Socialism and Liberation

Stop Trump Now! Imagem reproduzida de postagem do dia 12/01/2026 das redes sociais do Party for Socialism and Liberation

Não costuma ser recomendável, em reflexões tão curtas, tratar de mais de um assunto (e talvez não chegue a tanto), mas é importante estabelecer uma linha de raciocínio e um nexo causal razoável e lógico entre dois fatos ou fenômenos que parecem estar, de fato, intrinsecamente ligados:

  • a necessária reação contra a investida banditista de Trump — agressões, bombardeios, ameaças, saques, prisões, sequestros —, materializada em um movimento global de “Stop Trump Now!”, multifacetado e politicamente polissêmico, envolvendo desde a pressão sobre governos nacionais e órgãos multilaterais até a mobilização real, intensa e permanente de denúncia e combate à política imperialista, colonialista e fascista do mandatário estadunidense;
  • e a defesa aberta e ativa da autonomia, independência e soberania dos povos e nações sob a mira dos canhões das potências capitalistas, notadamente os EUA.

A combinação de fatores que, convergentes e sinérgicos, fortalecem e potencializam políticos e políticas como Donald Trump — confesso pirata dos recursos alheios, fanático extremista das ideias de supremacia racial branca, senhor da guerra e da morte —, em razão proporcionalmente inversa, traz também a possibilidade de forjar uma ampla frente pela paz, pelos direitos da humanidade e em defesa da autodeterminação dos povos.

Essa frente deve ter acento tanto na salvaguarda da integridade territorial, política, econômica e populacional das nações alvejadas ou cobiçadas pelos ladrões de casaca quanto no direito à existência e à afirmação de grupos étnicos, sociais e políticos diante de uma versão agudizada e mil vezes mais perigosa do “pensamento único” do século XXI — um amálgama putrefato dos piores aspectos da ideologia neoliberal, acrescidos dos repugnantes ideários racistas e nazifascistas em geral.

Nunca o problema da autonomia e do desenvolvimento soberano, democrático e sustentável das nações que historicamente foram submetidas a séculos de dominação, exploração e opressão capitalista teve contornos tão nítidos.

Parafraseando Bertolt Brecht, “os poderosos fazem planos para mil anos”, e as experiências e modelos que tenham como DNA o nacional-desenvolvimentismo ou o horizonte socialista tornam-se empecilhos e inimigos, convertendo-se em objeto e objetivo da fúria bélica e da destrutividade de sua maquinaria militar.

A questão da independência e da libertação nacional encerra hoje o grave paradoxo de que é vital lutar mesmo sendo formalmente independente e livre.

Stop Trump Now! pode e deve conduzir uma ação particular e geral ao mesmo tempo. Levar esse criminoso condenado a júri no Tribunal Penal Internacional é imperativo para, minimamente, resguardar qualquer traço de funcionalidade do sistema internacional de relações. Se bem articulado, pode — por que não? — servir de esteio e força motriz para discutir e realizar transformações qualitativamente positivas e superiores nos arranjos globais relacionados ao mundo do trabalho, à governança compartilhada e à manutenção da paz e da segurança coletivas, entre outros temas e pautas de interesse e responsabilidade comuns.

Sem incorrer no risco do exagero ou do alarmismo, a degradação da diplomacia política — substituída desavergonhadamente pela política do porrete e das canhoneiras, assessorada por mentiras sistemáticas e sistêmicas, emolduradas por discursos de ódio, preconceito e extermínio — constitui o preâmbulo de uma conflagração geral, mesmo quando não declarada. A qualquer pessoa minimamente informada e consciente, não é difícil estabelecer paralelos com os momentos que antecederam as guerras mundiais.

Stop Trump Now!

Alex Saratt é o 1° vice-presidente do Cpers, Secretário Adjunto da CNTE e Diretor de Comunicação da CTB RS

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