PUBLICADO EM 08 de dez de 2020
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Marielle e a luta por um mundo sem racismo, sem intolerâncias e sem exploração

O brutal assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, do PSOL, e do motorista Anderson Gomes completou 1.000 dias nesta terça-feira (8). O crime comoveu o país e teve ampla repercussão internacional. Aparentemente, uma forte mobilização policial foi improvisada com o objetivo de apurar os fatos e punir os responsáveis. Mas a verdade é que até hoje, embora dois policiais envolvidos estejam presos, os mandantes continuam livres, impunes, e o assassinato cercado de incógnitas e obscuridade.

O ódio e a intolerância que motivaram o crime, com raízes no racismo, no machismo e na homofobia (Marielle era negra e bissexual), ganharam força política e social após a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. A tal ponto que outras mulheres com projeção social que compartilham as mesmas convicções  e lutas da vereadora carioca estão sendo ameaçadas de morte, como a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), de 35 anos, hoje constrangida a viver escondida e sob escolta.

É o caso também de Carol Dartora (PT), a primeira vereadora negra eleita em Curitiba, chamada de “macaca fedorenta” por um internauta de extrema direita que prometeu comprar uma arma para matá-la.

O governo nada faz para combater o crime, finge que nada vê e na realidade estimula o racismo com o negacionismo que, no caso, é cultivado não só por Jair Bolsonaro como igualmente por seu vice, o general Hamilton Mourão, que afirmou com cara limpa que no Brasil não existe racismo ao comentar o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos espancado até a morte por seguranças brancos do supermercado Carrefour em Porto Alegre.

Para além da omissão e do negacionismo pesam contra o presidente da República fortes suspeitas de envolvimento na morte da vereadora, que acaba de completar 1.000 dias. A proximidade entre o Clã Bolsonaro e os assassinos de Marielle é sobejamente conhecida, assim como os vínculos da polêmica e belicosa família com a milícia carioca.

Talvez seja esta a razão pela qual o crime segue sem castigo e envolvido na obscuridade da dúvida e dos mistérios. Os movimentos sociais, celeiro de lideranças como Marielle, e as forças democráticas e progressistas vão continuar cobrando a apuração dos fatos e a mais rigorosa punição para os criminosos, principalmente os mandantes. É um capítulo importante da luta multissecular da classe trabalhadora por um mundo de liberdade, solidariedade e igualdade, onde o racismo, a intolerância, a opressão e exploração de classes já não terão vez.

Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) 

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