
Miguel Torres na exposição sobre a história do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Atrás, um painel com foto de Manoel Fiel Filho
A ditadura militar no Brasil (1964-1985) — autoritária, criminosa, estúpida e sanguinária — também perseguiu trabalhadores.
Entre suas vítimas está o metalúrgico e militante Manoel Fiel Filho. Trabalhador e pai de família, Manoel era um cidadão brasileiro que o Estado deveria proteger — e não assassinar, como fez em 17 de janeiro de 1976, durante o regime militar.
Funcionário da Metal Arte, então localizada na Mooca, em São Paulo, Manoel integrava a base do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, que, à época, não se calou. Está registrado na história dos trabalhadores e do Brasil que, em nome da categoria metalúrgica, o Sindicato exigiu explicações por meio de um telegrama enviado ao governo de Ernesto Geisel, assinado por seu presidente, Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão.
A repressão, entretanto, como era sua prática, ignorou as súplicas do Sindicato, da família e de uma sociedade já exausta da violência.
Agora, quase cinco décadas após o crime, a família terá o reconhecimento oficial da verdadeira causa da morte. Não foi “suicídio”, como a ditadura tentou forjar, mas sim “assassinato” e isso finalmente será corrigido.
Este reconhecimento será oficializado em junho deste ano, em cerimônia pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos. Será uma data edificante para nós.
Trata-se de uma reparação necessária, mas tardia, diante de um caso que feriu não apenas uma família, mas também uma categoria e todo um povo.
Registramos nosso reconhecimento ao jornal Folha de S.Paulo, que noticiou com destaque essa reparação. E reafirmamos solidariedade à família do eterno companheiro Manoel Fiel Filho. Seguiremos preservando sua memória — inclusive com sua homenagem no Dia do Delegado Sindical da base metalúrgica de São Paulo e Mogi das Cruzes, em 17 de janeiro.
Seguiremos, também, incansáveis na vigilância e na resistência contra quaisquer tentativas de ruptura democrática no Brasil, na defesa permanente da democracia, do Estado Democrático de Direito, das instituições, dos direitos da classe trabalhadora e da dignidade humana.
Miguel Torres é presidente da Força Sindical, da CNTM e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes



