PUBLICADO EM 19 de ago de 2025

Humanismo contemporâneo: aurora da dialogia; por Diógenes Sandim

O médico e dirigente sindical, Diógenes Sandim, inicia uma série de artigos sobre o curso histórico da Modernidade e os acontecimentos atuais que apontam uma transição para um novo ciclo: o da Pós Modernidade. No primeiro artigo ele falar sobre Humanismo e Dialogia.

Humanismo e dialogia: relevância nas novas questões sociais e políticas da atualidade.

Humanismo e dialogia: relevância nas novas questões sociais e políticas da atualidade.

Por Diógenes Sandim Martins

Nós, habitantes do século XXI, estamos testemunhando o crepúsculo de uma era e o alvorecer de um novo ciclo histórico. O Humanismo, em sua essência, não é uma ideia estática, mas um conceito vivo, moldado pelo “espírito do tempo” – uma ontogenia que se revela na história.

Ele surge como força político-social com as bandeiras da Revolução Francesa de 1789: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Naquele momento fundacional da Modernidade essas palavras não eram meros slogans, mas os pilares de uma nova visão de mundo, que desafiava hierarquias e afirmava a dignidade intrínseca de cada indivíduo.

A Mutação do Significado e o Colapso da Egolatria

O Humanismo, contudo, é um conceito dinâmico. Seu significado e sua proeminência na formulação dos propósitos políticos e sociais sempre foram relativos às demais influências antropossociais de cada época.

No final do século XX e nas primeiras décadas do século XXI, assistimos a uma ressignificação urgente do Humanismo. Ele vem ganhando espaço, não apenas nos círculos acadêmicos, mas na consciência coletiva mundial, a ponto de acumular “massa crítica” necessária para um “start” de mudança paradigmática. É o sinal de que a velha ordem está “morrendo”.

Essa ordem moribunda, que dominou a Modernidade em suas últimas consequências, tem como paradigma a “egolatria”. Uma obsessão com o individualismo desenfreado, a acumulação a qualquer custo e a busca incessante por poder e dominação.

Vimos essa egolatria se manifestar em conflitos, desigualdades abissais e, de forma mais dramática, na destruição do nosso próprio planeta. A imposição de uma ordem mundial unipolar e imperialista, herança direta desse ciclo político da Modernidade, demonstrou a falência de um sistema que negligencia a interdependência e a complexidade do viver.

A DIALOGIA: Alicerce Estruturante do Novo Mundo

É nesse cenário de transição que o Novo emerge, já com uma massa crítica coletiva, sustentado por um alicerce inabalável: a DIALOGIA. A Dialogia, enquanto conceito de diálogo Cursivo e Recursivo entre as partes, deve ser a força motriz do comportamento social em todos os níveis relacionais dos seres humanos no planeta.

Da mais íntima relação bipessoal até as complexas estruturas geopolíticas que moldam o mundo, a capacidade de ouvir, compreender e co-construir é a chave para a sobrevivência e a prosperidade.

Assim, adentramos um novo Ciclo Histórico: O DA PÓS-MODERNIDADE.

Se a Modernidade foi marcada pela Revolução Francesa e culminou na hegemonia de uma ordem unipolar, a Pós-Modernidade terá seu marco inicial na implantação de uma nova ordem mundial: Multipolar, equitativa, com direito ao desenvolvimento de todos os países. Será a era do Mundo Global, onde a interconexão será celebrada, e a cooperação, não a competição predatória, será a bússola.

Este é o Humanismo Contemporâneo: não uma mera repetição do passado, mas uma evolução necessária, que integra a consciência de nossa finitude e a urgência da interdependência. É a compreensão de que somos parte de um todo complexo, e que nossa sobrevivência depende da capacidade de dialogar, de reconhecer o outro em sua alteridade e de construir juntos um futuro comum.

Diógenes Sandim Martins é médico, diretor do Sindnapi e secretário-geral do CMI/SP

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