PUBLICADO EM 11 de ago de 2025

Exploração de crianças na internet é o tema de O Desaparecimento de Kimmy Diore

O Desaparecimento de Kimmy Diore revela os perigos do estrelato infantil e a relação abusiva entre mãe e filha.

O Desaparecimento de Kimmy Diore

O Desaparecimento de Kimmy Diore

A série O Desaparecimento de Kimmy Diore (2024) retrata uma relação abusiva em que uma mãe (Melaine Diore, interpretada por Doria Tillier) obriga a filha de seis anos, Kimmy, a protagonizar um canal no YouTube. Quando a menina é sequestrada, a investigação policial revela a história de uma mulher frustrada por não alcançar o estrelato, que transforma a filha em instrumento para conquistar público, dinheiro e artigos de luxo.

Lembrei-me da produção ao saber que, nesta segunda-feira, 11 de agosto, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, anunciou em suas redes sociais que irá pautar projetos voltados a combater ou restringir o alcance de perfis e conteúdos nas redes sociais que promovam a “adultização” de crianças e adolescentes. A declaração foi motivada pela repercussão do vídeo publicado pelo influenciador Felca Bress, em 7 de agosto, no YouTube.

Ao longo de quase 50 minutos, Felca denuncia diversos casos de abuso contra crianças e adolescentes — muitas vezes cometidos pelos próprios pais — e demonstra que identificar e alcançar os abusadores não é tão difícil quanto alegam os donos das plataformas que hospedam esse conteúdo. O impacto da denúncia foi tão grande que pode acelerar a votação de novas leis para coibir essas práticas criminosas.

O vídeo apresenta situações ainda mais graves do que as retratadas na série, mas O Desaparecimento de Kimmy Diore oferece uma reflexão importante sobre o comportamento vicioso e a tensão que permeiam relações abusivas. Alguns dos casos mostrados por Felca repetem o drama vivido por Kimmy: pais que exploram seus filhos para lucrar na internet.

A exploração sexual — ou mesmo o uso da imagem de menores para fins comerciais e monetização — tornou-se uma realidade perturbadora do nosso tempo. Crimes assim, muitas vezes diluídos no submundo da internet, frequentemente permanecem impunes. Suas consequências atingem toda uma geração de jovens explorados, resultando em aumento da ansiedade, insegurança, permissividade e violência, em um ciclo que se repete e se retroalimenta.

Os riscos da internet para crianças são tantos que até mesmo publicações aparentemente inofensivas — fotos e vídeos de momentos comuns em família ou entre amigos — podem cair nas mãos de criminosos e expô-las a situações perigosas.

Trata-se de um sintoma de uma sociedade que prioriza o lucro e o sucesso individual acima das relações humanas e do respeito à vida. Sintoma agravado pelo faroeste digital de um mundo em crescente desregulamentação, no qual as gigantes da tecnologia lucram com a máxima: “quanto pior, melhor”.

Lançada em 2024, O Desaparecimento de Kimmy Diore, foi criada por Judith Havas e Victor Rodenbach. Tem seis episódios de cerca de 50 minutos cada. Está disponível no Disney + e Apple TV.

Por Carolina Maria Ruy, jornalista e pesquisadora

Veja aqui o trailer de O Desaparecimento de Kimmy Diore

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