PUBLICADO EM 26 de fev de 2026

Colunista: Fim da Escala 6X1 e Redução da Jornada de Trabalho

Escala 6×1 impacta saúde mental e qualidade de vida dos trabalhadores, aponta estudo

Entenda como a escala 6×1 afeta a saúde mental e a recuperação emocional dos trabalhadores em nosso novo artigo.

A escala 6x1 pode comprometer a saúde mental e a recuperação emocional dos trabalhadores.

A escala 6×1 pode comprometer a saúde mental e a recuperação emocional dos trabalhadores. Imagem criada por IA.

O vigésimo sétimo artigo do dossiê “Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada de Trabalho”, organizado pelo Organizado pelo Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) em parceria com as centrais sindicais, aborda o tema: “Trabalho que fratura, jornada que adoece: saúde mental e os impactos da escala 6×1“. O artigo é assinado por Vanessa Silveira de Brito.

A autora analisa como a escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos com apenas um dia de descanso — compromete o tempo necessário para a recuperação física e emocional, mesmo quando a jornada semanal formal não ultrapassa os limites previstos em lei.

De acordo com ela, é fundamental diferenciar dois elementos frequentemente tratados como sinônimos no debate público:

  1. a duração da jornada de trabalho e
  2. a escala de trabalho.

Enquanto a jornada diz respeito ao número de horas trabalhadas, a escala define como essas horas são distribuídas ao longo da semana. Nesse sentido, o adoecimento pode estar menos relacionado ao total de horas e mais à forma como o descanso é organizado.

O artigo aponta que a escala 6×1 tende a reduzir o potencial reparador do tempo livre, uma vez que o único dia de folga é frequentemente ocupado por tarefas domésticas, deslocamentos ou simplesmente pelo cansaço acumulado ao longo da semana. Isso dificulta a recomposição física e emocional dos trabalhadores, favorecendo o surgimento de quadros de estresse, ansiedade e esgotamento.

Além dos impactos materiais, como a restrição do tempo de descanso, o modelo também produz efeitos subjetivos. Segundo o estudo, jornadas distribuídas de forma restritiva contribuem para o enfraquecimento de vínculos sociais, a perda de sentido no trabalho e a dificuldade de construção de projetos de vida fora da lógica da produtividade.

Dados citados no texto indicam que os transtornos mentais e comportamentais já figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil, com crescimento significativo dos benefícios previdenciários concedidos por esse motivo nos últimos anos.

Para a autora, o enfrentamento da escala 6×1 deve ser compreendido não apenas como pauta trabalhista, mas também como medida de saúde pública. A reorganização do tempo de trabalho, com garantia de descanso adequado, é apontada como condição necessária para a preservação do bem-estar, dos vínculos sociais e da qualidade de vida da classe trabalhadora.

Nesse contexto, a redução da jornada e a revisão de modelos de escala aparecem como instrumentos capazes de assegurar o direito ao tempo de viver — elemento fundamental para a dignidade humana.

Leia aqui o artigo

Trabalho que fratura, jornada que adoece: saúde mental e os impactos da escala 6×1

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