PUBLICADO EM 20 de nov de 2025

Emblemático

O artigo fala sobre o racismo enfrentado por Renato Freitas e a profunda questão social e histórica que ele representa no Brasil. É um caso emblemático

O racismo sofrido por Renato Freitas é emblemático. Foto Agência Brasil

O racismo sofrido por Renato Freitas é emblemático. Foto Agência Brasil

Por Alex Saratt

Na véspera de uma das datas máximas não só da negritude, mas também da brasilidade, o episódio de ofensas, injúrias e ataques contra o jovem deputado negro Renato Freitas replica, pela enésima vez, a gravidade e a profundidade daquilo que, nas profundezas das mentalidades, imaginários e ideologias, se retroalimenta de forma secular e colonial na vida cotidiana e social do Brasil e dos brasileiros.

A consciência política crítica e revolucionária — longe dos modestos pós-modernos e identitários — já compreendeu e sintetizou uma visão que unifica classe, gênero e raça, e dá a devida dimensão histórica e sociológica aos fatos, processos e realidades instituídas na carne e no cerne do Brasil que ousamos transformar.

Renato Freitas é mais um entre tantos que sofrem e enfrentam o drama e a tragédia do racismo, da discriminação e do preconceito, potencializados pelo discurso de ódio, pelas mentiras e pela própria violência — nada discursiva ou figurativa: física, carnal, letal. A reação — motivo de hipocrisia ou escárnio por parte de internautas cujas mentes estão intoxicadas e cujas almas já parecem não ter salvação — criou uma falsa celeuma. Conhecessem os ignóbeis detratores do agredido — condição muito diferente da vitimização atribuída com notas de fraqueza — a concepção dos Panteras Negras ou da luta do MPLA, só para citar dois exemplos forâneos, calariam a boca.

Zumbi dos Palmares - ícone para a luta contra o racismo. Pintura de Antônio Parreiras em 1927.

Zumbi dos Palmares – ícone para a luta contra o racismo. Pintura de Antônio Parreiras em 1927.

Mas como conheceriam tais exemplos históricos se ignoram e recusam Zumbi e Palmares, se os quilombos lhes são a versão apavorante do que nunca deveria ter sido, porque a eles lhes agrada a senzala, o tronco e o pelourinho? Se não compreendem que a periferia-favela tem sua razão de ser e existir na pobreza, mas também na resistência e na identidade? Se são contra a emancipação racial, social e nacional como parte intrínseca de um único processo?

Trezentos e trinta anos após sua morte, Zumbi segue nos vigiando do alto da serra. A luta antirracista é também a luta anticolonial, logo anti-imperialista e de libertação nacional, lutas, por sua vez, estritamente conectadas com a luta pelo socialismo. Ao nosso companheiro Renato Freitas, a máxima solidariedade; aos trabalhadores e trabalhadoras de ontem e de hoje — em sua maioria negros, quando não, ainda assim explorados e oprimidos — uma saudação vigorosa ao 20 de Novembro, Dia Nacional — e por que não internacional — da Consciência Negra, responsável pela construção da consciência geral de que um outro mundo é possível, necessário e urgente!

Alex Saratt é o 1° vice-presidente do Cpers, Secretário Adjunto da CNTE e Diretor de Comunicação da CTB RS

 



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