PUBLICADO EM 08 de mar de 2018
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Colunista José Rainha Júnior

Desafiar o tempo para mudar a natureza

Estamos atravessando um período histórico na conjuntura política e na vida de nosso país, vivido em poucos momentos em nossa história de 500 anos. Os movimentos da classe dominante com o golpe jurídico e político contra a ex presidenta Dilma deixou a classe trabalhadora e seus dirigentes sem rumo do que fazer. Isso tudo aconteceu porque depois que a esquerda chegou ao poder pensaram que tinha tomado o poder da Burguesia burguesia, acharam e continuam achando que a burguesia ficou democrática e ia andar de mãos dadas com a classe trabalhadora e com seu principal líder operário no comando do Estado por muito tempo. Esta ilusão foi alimentada pelos quadros da esquerda, pelos partidos aliados e pelos sociais democratas pequenos burgueses que comandam a máquina do partido e que em sua análise de classe esconde os verdadeiros princípios da luta de classe. Tentam maquiar a verdadeira realidade e vendem um discurso para as massas oprimidas exploradas de que é possível construir a democracia meramente pelo voto, ou com a aliança com os setores burgueses; que será possível aprimorar a democracia e garantir os direitos do povo e melhorar a vida deles com as reformas na estrutura do Estado.

As reformas que tentaram fazer no Capitalismo nunca existiram na prática para nos servir de experiência, esta análise da esquerda está totalmente fora da história, não tem ciência política e está em descompasso com a filosofia Marxista e de todos os líderes que conduziram a classe trabalhadora ao poder como, Leni, Mao Tsé-Tung, Fidel, Che Guevara, Hó chi minh e tantos outros revolucionários de nossa história. Somente com a luta de classe e a Revolução será possível construir uma outra sociedade onde a democracia é de verdade. É falso fazer-nos crer que a sociedade é dividida entre os bons e os ruins, pois não existe burguesia de bondade. O Capital e o Capitalismo, ao criar o Estado fizeram um contrato com a classe dominante donas dos meios de produção, cujo devam servir e fortalecer a estrutura do capitalismo. Nisso, podemos concluir que não é possível de forma alguma conciliar o capital com os pobres, porque os pobres são proletários, são os que produz e o capital explora e domina, detém os meios de produção e fica com toda riqueza produzida pela classe operária. O Estado é um instrumento de repressão, um instrumento de organização do Capital e não tem serventia nenhuma para a casse trabalhadora; só será útil para a classe trabalhadora o dia que ele estiver sobre o comando da classe trabalhadora. Portanto, a tarefa se emancipar como classe e viver com dignidade na sociedade é destruir o estado burguês e construir um outro estado sobre seu comando e acabar com a contradição de classe e toda exploração.

Para a esquerda brasileira isso tudo não passa de utopia, talvez poderia prestar atenção nos versos do poeta que disse “Nunca aborte seus ideais no ventre da covardia, vai à luta empunhando a verdade que a liberdade não é utopia”. O que falta é as convicções de que existe a luta de classes e não há conciliações destas. Também de que neste momento da nossa história, toda esquerda está na corrida eleitoral buscando no voto o tão sonhado poder, mas já se esqueceram que o poder se conquista com o povo nas ruas que cedo ou mais tarde vão construir a sua liberdade, e a nossa classe dirigente. Infelizmente ficaram olhando da janela a roda da história, o povo girar. Os reformistas pequenos burgueses de parte da esquerda estão convencidos que é possível administrar o estado burguês com a burguesia, mas esta tese só serve para alimentar os seus egos e privilégios pessoais e seus discursos divulgados na mídia burguesas todos os dias. Com seus devaneios inventaram a tal ficha limpa, como uma forma de impedir os corruptos de disputarem as eleições, esqueceram que com isso estavam cometendo uma um erro gravíssimo, colocando as cordas nas mãos da burguesia para enforcarem a si mesmo.

Nossas lideranças foram para a cadeia e para o enforcamento, aqui se aplica o velho ditado “o feitiço virou contra o feiticeiro”, a tal “ficha limpa” vai impedir o maior líder operário de nossa história disputar as eleições de 2018 e ele só não vai para a cadeia porque os donos da casa grande têm medo de senzala tomar os engenhos, incendiar os canaviais e enforcar os donos dos engenhos. Tem muitos que ainda não tiveram suas fichas sujas mas, podem esperar que logo o estado com seu poder de Polícia e Ministério Público e Judiciário vão se encarregar de fazer isso. É triste a nossa realidade mas vai ser assim, como sempre foi, lamentavelmente quando nossos dirigentes chegaram na casa grande se encantaram com os anéis dos donos dos engenhos. Hoje, alguns de nossos desavisados se encontram nas gaiolas como um pássaro para ser domado, logo aceitando alguns privilégios disserta seus cantos lindos para agradar seus algozes, se esquecendo que suas auroras são muito tristes e nunca vão ver um novo amanhecer.

É sabido que nós não temos as condições objetivas e nem subjetivas para tomar o poder da burguesia, mas isso não podem nos servir de desculpas para dizer que a luta de classe acabou, e que a revolução não é possível, ou buscar um outro caminho para fazer as lutas, com aliança e coligações com setor da classe dominante, as condições de classe não nos permitem construir um outro caminho neste momento da história, nem por isso devemos buscar um outro caminho que só nos levará ao abismo. Nossa tarefa neste momento é organizar a classe trabalhadora no campo e na cidade, firmar as nossas posições e convicções de classe revolucionária e de passo a passo ir construindo um outro caminho, que permita o avanço da consciência de nossa militância e de toda a classe trabalhadora.

Precisamos avançar na construção de um movimento de massa forte no Campo e na Cidade, construir o partido de classe sobre os pilares da filosofia Marxista Leninista sem estes princípios filosóficos, sem uma pratica concreta, não vamos conseguir dar um passo a afrente. Lenin estava correto quando afirmou “uma teoria sem pratica não serve para nada, e uma prática sem uma teoria revolucionaria ela é cega” O momento da história está cobrando de cada um de nós a dar um passo à frente.

A realidade nos convoca a desafiar o tempo e temos a tarefa de construir os núcleos de bairros, de operários e todo seguimento da classe trabalhadora. Os núcleos de base são os pilares que a organização precisa ter para se parar em pé, onde nós formamos nossos militantes para a luta. No início dos anos 80 a igreja católica criou as CEBs (Comunidade eclesiais de base) sobre a orientação da teologia da libertação foi a grande responsável na formação política de nossa militância onde posso dizer com orgulho que sou fruto desta geração. Foi ali que se permitiu criar as oposições sindicais tanto no campo como na idade e foi com os núcleos de base que nós construímos o PT, depois a CUT, MST, que levamos as massas as ruas no grande movimento das Diretas Já, culminando com a derrubada do Regime Militar em 1985. E assim, consequentemente surgiram outros mais novos em anos mas com os mesmos ideais que hoje somam com as indignações de povos e do rumo histórico do país.

Nossa tarefa é voltar para dentro das fábricas, nos bairros pobres onde vivem os excluídos, no campo e onde estão as famílias acampadas de sem-terra, nos quilombolas, nos indígenas, organizá-lo e conscientizá-los de nossa proposta da construção de revolução. Mostrar que é possível a construção de uma sociedade alternativa de homens e mulheres livres onde vai existir de verdade a democracia. Não podemos jamais alimentar as corridas eleitorais como caminho e alternativas de mudanças, isso é um erro que jamais a história vai nos perdoar, porque as mudanças só se alcançarão com os enfrentamentos na luta de classe contra a burguesia. Portanto a realidade nos convida a desafiar o tempo se quisermos mudar a natureza.

José Rainha Júnior é um ativista brasileiro, ex-líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

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