PUBLICADO EM 12 de fev de 2026

Congresso tem que priorizar interesses da classe trabalhadora

Os interesses da classe trabalhadora devem ser prioridade. Veja como as medidas do Congresso afetam os cidadãos e a economia.

O presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), caminham pela rampa do Congresso junto aos secretários-gerais e diretores-gerais das Casas na abertura do ano legislativo de 2025. Foto: Pedro França/Agência Senado

O presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), caminham pela rampa do Congresso na abertura do ano legislativo de 2025. Foto: Pedro França/Agência Senado

O Congresso Nacional retomou seus trabalhos confirmando sua imagem de “inimigo do povo”.

A primeira medida aprovada pelos parlamentares foi garantir o aumento dos rendimentos dos seus próprios assessores na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, com um custo adicional de quase R$ 800 milhões aos cofres públicos só este ano.

Foram aprovados projetos que permitem “penduricalhos” e gratificações que fazem com que os salários furem o teto constitucional de R$ 46 mil.

Além de turbinar seu próprio “parquinho de privilégios”, a oposição trabalha para trancar a pauta com pedidos de CPI e outros artifícios, para evitar que o governo mantenha o foco nas medidas que realmente interessam ao povo.

É um tapa na cara do povo trabalhador, que tem pressa pela aprovação de mudanças que realmente o beneficiem no dia a dia, como a emblemática luta pela redução das jornadas sem corte de salários.

A grande maioria dos trabalhadores dos postos de abastecimento, do comércio e serviços, da indústria, da construção e do agronegócio, em geral recebe pouco mais do que um salário mínimo, hoje fixado em R$ 1.621. Além de ganharem pouco, têm seu tempo roubado pela desumana escala 6×1, que os faz chegar em casa exausto, sem disposição para o convívio social, cuidar dos filhos ou da própria saúde.

Fim da escala 6×1

Conseguimos manter um fio de esperança com as declarações da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e do líder do governo na Câmara, deputado Lindberg Farias, de que a prioridade número um deste ano é o fim da escala 6×1. O projeto de lei com esse objetivo deverá ser enviado ao Congresso logo após o carnaval, com pedido de urgência constitucional, o que obriga os parlamentares a votarem a medida em até 45 dias.

Essa é a nossa bandeira! Reduzir a jornada para 36 ou 40 horas semanais, sem corte de salários. É viável, não prejudica a economia, aumenta a produtividade, gera empregos e faz justiça a quem carrega o país nas costas.

A conquista de benefícios como o “Gás do povo”, aprovada na primeira semana de trabalho do ano pelo Senado, que garante botijões de gás gratuitos para famílias de baixa renda, mostra que é possível avançar quando há vontade política. Porém, não podemos ser ingênuos: em ano eleitoral, deputados e senadores só vão se mexer em favor do povo se sentirem o bafo da nossa mobilização em seus cangotes.

Além do voto consciente, a mobilização sindical é nossa principal ferramenta para pressionar por mudanças favoráveis aos trabalhadores e trabalhadoras nas leis do país. Dirigentes sindicais, trabalhadores, militantes das causas sociais e parlamentares progressistas precisam estar unidos. Se os deputados têm pressa para aumentar o que vai no próprio bolso, temos que ter pressa redobrada para exigir o fim da escala 6×1 e o respeito à saúde física e mental de quem trabalha.

Não vamos aceitar que temas como a dosimetria de penas para quem atacou a democracia dominem os debates enquanto os trabalhadores sofrem com exaustão e baixos salários. Nossa luta é por dignidade, por tempo de descanso e por uma vida que vai além do trabalho.

A hora de pressionar é agora, nas ruas e nas redes! Pelo fim da escala 6×1 e por um Congresso que olhe para o povo e não apenas para o próprio umbigo.

Eusébio Luís Pinto Neto é presidente da Federação Nacional dos Frentistas e do Sindicato dos Frentistas do Rio de Janeiro (Sinpospetro)

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