PUBLICADO EM 23 de jan de 2026

Colunista: Artur Bueno de Camargo

A concentração de renda destrói o Meio Ambiente e mata

Artur Bueno faz uma reflexão sobre a concentração de renda e a necessidade de políticas que promovam a justiça social e ambiental.

A concentração de renda e a crise ambiental estão interligadas. Descubra como isso afeta o planeta e a sociedade. Na foto: o problema da ocupação desordenada perto de encostas. COPPE/UFRJ

A concentração de renda e a crise ambiental estão interligadas. Descubra como isso afeta o planeta e a sociedade. Na foto: o problema da ocupação desordenada perto de encostas. COPPE/UFRJ

O planeta chega em 2026 dando respostas à destruição ambiental. Apesar disso, os mais gananciosos se recusam a admitir que se não houver uma reversão da agressão à natureza, a médio prazo não haverá produção para alimentar a população. As consequências serão catastróficas.
Ao mesmo tempo que a natureza responde à sua destruição, causando inundações, estiagens e temperaturas acima de 40 graus — o que tem sido constante —, nos deparamos com uma concentração de renda absurda.

Faço este paralelo entre a destruição da natureza e a concentração de renda por entender que elas têm uma ligação fácil de identificar e assimilar. O processo só se altera quando há políticas que reduzem os monopólios e permitem que uma parcela maior da população participe do resultado do desenvolvimento do Capital.

Quando a democracia estatal age para regular o apetite dos mais ricos, o desenvolvimento se torna mais sustentável, com menos resistências à preservação da natureza. Hoje, o Capital está nas mãos de uma minoria, enquanto a maioria da população está subordinada a essa minoria.

Vamos a alguns dados: segundo um relatório da Oxfam divulgado no Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça), os 12 bilionários mais ricos do mundo concentram mais riqueza do que os 4 bilhões mais pobres do planeta — o equivalente à metade da população mundial.

O Brasil figura entre os países com maior concentração de renda no cenário global e lidera o ranking de bilionários da América Latina e do Caribe. Segundo relatório da Oxfam, o país possui 66 pessoas que, juntas, acumulam US$ 253 bilhões (o equivalente a aproximadamente R$ 1,26 trilhão).

A influência dos detentores desse absurdo Capital interfere de forma decisiva nas políticas do país, desde o financiamento de campanhas eleitorais até a atuação da grande mídia, com manipulação da comunicação. Da mesma forma, no desrespeito ao meio ambiente por conta de seus interesses.

Qual seria o caminho para diminuirmos essa concentração de renda e viabilizarmos políticas sociais de distribuição de renda? De preservação da natureza? Não vejo outra alternativa, senão o envolvimento da sociedade na política, para obtermos consciência de classe e elegermos pessoas comprometidas com o bem-estar da população.

Para alcançarmos esse objetivo, precisamos de uma grande unidade, entre todas as organizações sindicais e sociais. Só assim, será possível despertar o interesse da classe trabalhadora e da sociedade de participar da discussão e da conscientização política, bem como da consciência ambiental.

Artur Bueno de Camargo é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Alimentação, CNTA

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