
Dia da Mulher: uma data que nos lembra da luta contra o feminicídio e a importância de defender os direitos das mulheres.
O Brasil bateu um triste recorde no ano de 2025: foram 1.518 mulheres vítimas de feminicídio no ano passado, ou 4 mulheres mortas por dia no ano (Ministério da Justiça). O Estado de São Paulo também se destaca negativamente: 270 mulheres foram assassinadas no Estado em 2025, exclusivamente devido ao fato de serem mulheres.
Os tristes números mancham a celebração do Dia da Mulher (8 de março) e parecem alertar a sociedade sobre uma chaga não curada: a mesma mulher que supera barreiras sociais e avança no mundo profissional, político e científico ainda sofre pela ação de homens dominados pelo ódio, pela posse e pela má formação moral.
A USTL (União Sindical dos Trabalhadores de Limeira) defende e incentiva a atuação dos sindicatos no combate à violência contra as mulheres, incluindo o feminicídio, pois o problema é uma questão social e política de classe, não apenas um assunto particular. A legislação brasileira busca combater essa violência por meio de medidas como a Lei Maria da Penha e, mais recentemente, decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) que asseguram o afastamento remunerado para mulheres em situação de risco. Mas ainda parece pouco.
As ações sindicais devem ser focadas no fortalecimento do protagonismo das mulheres, apoiando-as na utilização dos mecanismos de proteção (Lei Maria da Penha, medidas restritivas, Patrulha Maria da Penha e rede municipal) e trabalhando a conscientização de agressores para o combate à violência de gênero.
O fortalecimento das mulheres no enfrentamento da violência e a atuação na conscientização dos agressores no âmbito sindical são estratégias importantes para promover a igualdade e a segurança no ambiente de trabalho e na sociedade.
Limeira
Limeira registrou 3 casos de feminicídio em 2025, mesmo número de 2024. Mas os episódios de violência doméstica parecem ter aumentado, ocupando espaço preferencial na nossa mídia. O ano de 2026 começou com uma tentativa de feminicídio pelo ex-companheiro, que não aceitava o fim do relacionamento. A vítima quase ficou paraplégica e luta até hoje para recuperar a mobilidade e os movimentos da face.
Conscientizar pode não ser tudo, mas é parte fundamental da mudança de mentalidade. Falar sobre o tema no ambiente de trabalho pode detonar um processo que, no mínimo, promove a reflexão: da empresa e pelo sindicato, para dentro de casa; das palavras do dirigente sindical, para a consciência de cada mulher e de cada homem trabalhador.
Sociedade desenvolvida, com trabalhador valorizado, não combina com violência contra a mulher. Que, nos próximos dias 8 de março, possamos nos dedicar exclusivamente a narrar o avanço delas pelos campos profissional, político e científico.
Artur Bueno Júnior é presidente da USTL e do Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação de Limeira (STIAL)



