PUBLICADO EM 01 de mar de 2026

Chuvas em Minas Gerais já deixam 72 mortos; sindicalistas se solidarizam

As chuvas em Minas Gerais deixaram 72 mortos e milhares de desabrigados. Entenda a gravidade da situação na Zona da Mata.

As chuvas em Minas Gerais resultaram em 72 mortes e muitas pessoas desabrigadas. Foto: Agência Brasil

As chuvas em Minas Gerais resultaram em 72 mortes e muitas pessoas desabrigadas. Foto: Agência Brasil

O número de mortes causadas por deslizamentos e enchentes desencadeados pelas chuvas que atingem a Zona da Mata de Minas Gerais chegou a 72 na manhã deste domingo (1º). As informações foram atualizadas pela Polícia Civil de Minas Gerais, durante entrevista coletiva à imprensa.

Segundo a corporação, 72 corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), sendo sete de moradores de Ubá e 65 de Juiz de Fora, município que concentra a maioria das vítimas fatais e segue em estado de calamidade pública reconhecido pelo governo federal.

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As fortes chuvas que atingem o estado desde o início da semana provocaram o transbordamento do Rio Paraibuna, além de inundações, deslizamentos de terra e o isolamento de bairros inteiros na região.

De acordo com as autoridades, ao menos 3.500 pessoas estão desabrigadas ou desalojadas desde a noite de segunda-feira (23). A Defesa Civil estima que cerca de 440 pessoas ficaram desabrigadas e já receberam acolhimento provisório. Em Juiz de Fora, são aproximadamente 200 desabrigados e 400 desalojados. Em Ubá, há registro de 14 desabrigados e 46 desalojados.

Solidariedade sindical

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, manifestou, em vídeo, solidariedade às vítimas das chuvas. Ele pediu celeridade na ajuda por parte dos governos federal e estadual e afirmou que a central sindical está à disposição para colaborar no que for necessário no apoio às comunidades atingidas.

“Nos colocamos à disposição. Nós da Força Sindical, da Força Minas e entidades da região, nos colocamos à disposição para ajudar no que for possível. Conte com a Força Sindical”, disse.

A Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo (Fenepospetro) também manifestou solidariedade ao povo de Minas Gerais, especialmente aos moradores de Ubá e Juiz de Fora, municípios fortemente atingidos pelas chuvas intensas que provocaram mortes, desabrigamento e destruição em diversas comunidades da Zona da Mata.

Em nota, a entidade destacou que, historicamente, o movimento sindical se solidariza com as vítimas de tragédias e busca formas de apoiar os trabalhadores e famílias afetadas por eventos climáticos extremos.

“A crise climática veio para ficar e afeta principalmente os mais pobres”, afirmou o presidente da Fenepospetro, Eusébio Luis Pinto Neto.

Papa Leão XIV manifesta solidariedade às vítimas

Durante a mensagem do Angelus dominical, neste domingo (1º), o Papa Leão XIV lembrou das vítimas das fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira nesta semana.

O pontífice manifestou solidariedade às famílias afetadas pelos temporais e às comunidades atingidas pelos deslizamentos e inundações.

Lula visita áreas atingidas e anuncia apoio federal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou por volta das 9h40 deste sábado (28) ao Aeroporto Presidente Itamar Franco, em Goianá (MG), para visitar as cidades atingidas pelas chuvas na Zona da Mata mineira. À época, o número de mortos já havia chegado a 71.

De lá, o presidente seguiu de helicóptero para Ubá, onde visitou o Departamento de Assistência Social João de Freitas, no Centro da cidade, que foi invadido pela água durante as enchentes. Idosos que estavam no local chegaram a permanecer sobre colchões devido à inundação.

Por volta das 12h30, Lula desembarcou em Juiz de Fora e realizou um sobrevoo nas áreas atingidas pelas chuvas. Na sequência, a comitiva presidencial caminhou pelo bairro Linhares ao lado da prefeita Margarida Salomão (PT) e ouviu moradores afetados pela tragédia.

O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, informou que moradores de Minas Gerais que perderam as casas nas fortes chuvas vão receber um novo imóvel do governo federal no valor de até R$ 200 mil.

Outro ponto visitado por Lula foi o abrigo montado na Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves, no bairro Bom Jardim, uma das unidades da rede municipal transformadas em abrigo pela prefeitura para acolher famílias desalojadas.

Redução de investimentos em prevenção

Reportagem de Bruno Luiz, do Portal UOL, publicada nesta quarta (25) mostra que o desastre provocado pela chuva tem um tanto de negligência do poder público. Segundo a matéria, dados orçamentários indicam que o governo de Minas Gerais, na gestão de Romeu Zema, (Partido Novo) reduziu significativamente os recursos destinados ao enfrentamento dos impactos das chuvas nos últimos anos.

Entre 2023 e 2025, a verba destinada ao programa “Suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas” caiu de R$ 134,8 milhões para R$ 5,8 milhões. A iniciativa concentra investimentos voltados à gestão de desastres, assistência emergencial aos municípios atingidos, mitigação de danos em rodovias e prevenção de eventos meteorológicos críticos.

Em 2024, dos R$ 5,8 milhões efetivamente gastos, R$ 5,6 milhões — o equivalente a 97% do total — foram aplicados em ações para atenuar danos provocados pelas chuvas apenas em estradas.

Já em 2026, nos dois primeiros meses do ano, o valor executado pelo governo estadual para esse tipo de ação foi de pouco mais de R$ 36 mil.

Previsão é de continuidade das chuvas

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de grande perigo para chuvas na Zona da Mata mineira, região mais afetada pelos temporais desde segunda-feira (23).

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) considera muito alta a possibilidade de novas enxurradas, alagamentos e inundações, especialmente devido ao solo já encharcado.

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