
Bombeiros trabalham nos escombros provocados pelas chuvas em Minas Gerais nos útimos dias
O número de mortes devido aos temporais na Zona da Mata mineira chegou a 40, segundo balanço divulgado na tarde desta quarta-feira (25) pelo Corpo de Bombeiros. Juiz de Fora tem 34 mortos e 25 desaparecidos e Ubá contabiliza seis mortos e dois desaparecidos.

Segundo a corporação, há ainda 39 pessoas desaparecidas e 208 foram resgatadas com vida. Ao todo, 134 militares atuam nas operações de busca e salvamento nos municípios afetados.
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Chuvas intensas
As chuvas intensas que atingiram a região entre a noite de segunda-feira (23) e a madrugada de terça-feira (24) provocaram o transbordamento do Rio Paraibuna, além de inundações, soterramentos e o isolamento de bairros inteiros. Mais de 40 chamados emergenciais foram registrados por risco estrutural e alagamentos.
A Defesa Civil estima que ao menos 440 pessoas ficaram desabrigadas e já receberam acolhimento provisório. Em Juiz de Fora, são cerca de 200 desabrigados e 400 desalojados. Em Ubá, há 14 desabrigados e 46 desalojados.
O governo federal reconheceu oficialmente o estado de calamidade pública em Juiz de Fora, o que permite o envio de recursos e assistência emergencial às áreas atingidas.
População em desespero
Morador do Parque Jardim Burnier, na zona sudeste de Juiz de Fora, o eletricista Jorge Rocha relatou para a Agência Brasil o momento em que foi alertado por vizinhos durante a madrugada.
“Era um desespero. Um monte de gente correndo. Falaram que era para todo mundo sair de casa. Eu vim para fora e aí vi o desastre.”
Ele vive a cerca de 20 metros do ponto mais impactado por um deslizamento de terra que destruiu um conjunto de casas. Segundo Rocha, um dos moradores conseguiu sair com vida dos escombros, mas perdeu familiares.
“Ele saiu sujo de barro, assustado. E passou a noite em busca da família. De manhã, os bombeiros encontraram os corpos da mulher e do filho.”
A enfermeira Débora Pena também testemunhou o início do deslizamento enquanto tentava retirar a avó de casa.
“Eu moro aqui desde que era criança. Nunca tinha visto nada como isso. Na hora, começou a descer muita terra e pedra. E eu saí correndo e fui chamar socorro.”
De acordo com o subcomandante do 4º Batalhão de Bombeiros Militar, Demétrios Bastos Goulart, as equipes seguem em trabalho ininterrupto nas áreas mais atingidas.
“Estamos com um cão farejador também. É um trabalho ininterrupto, com parede de iluminação, equipamentos e revezamento de equipes. Vamos manter a área isolada, porque há novos riscos de deslizamentos.”
Previsão é de mais chuvas
As tempestades vão continuar. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou alerta de grande perigo para chuvas até as 23h59min do dia 27 de fevereiro na Zona da Mata mineira, região mais afetada pelos temporais desde segunda-feira (23).
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) considera muito alta a possibilidade de permanência ou novas ocorrências de enxurradas, alagamentos em áreas de drenagem deficiente e inundações em Juiz de Fora.
O Inmet alertou ainda que o avanço de uma nova frente fria a partir desta quarta-feira (25) pode provocar mais chuvas intensas na Zona da Mata e nas regiões Sul e Sudoeste de Minas Gerais. Com o solo já encharcado, aumenta o risco de novos alagamentos, enxurradas e deslizamentos, especialmente em áreas vulneráveis.
Redução de investimentos em prevenção
Reportagem de Bruno Luiz, do Portal UOL, publicada nesta quarta (25) mostra que o desastre provocado pela chuva tem um tanto de negligência do poder público. Segundo a matéria, dados orçamentários indicam que o governo de Minas Gerais, na gestão de Romeu Zema, (Partido Novo) reduziu significativamente os recursos destinados ao enfrentamento dos impactos das chuvas nos últimos anos.
Entre 2023 e 2025, a verba destinada ao programa “Suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas” caiu de R$ 134,8 milhões para R$ 5,8 milhões. A iniciativa concentra investimentos voltados à gestão de desastres, assistência emergencial aos municípios atingidos, mitigação de danos em rodovias e prevenção de eventos meteorológicos críticos.
Em 2024, dos R$ 5,8 milhões efetivamente gastos, R$ 5,6 milhões — o equivalente a 97% do total — foram aplicados em ações para atenuar danos provocados pelas chuvas apenas em estradas.
Já em 2026, nos dois primeiros meses do ano, o valor executado pelo governo estadual para esse tipo de ação foi de pouco mais de R$ 36 mil.
Como ajudar
Neste momento, a população atingida pelas tempestades precisa de ajuda. As doações financeiras devem ser feitas exclusivamente por meio da campanha oficial SOS Águas, coordenada pelo Serviço Social Autônomo (Servas).
Também é possível doar à Defesa Civil de Minas Gerais itens como:
- alimentos,
- água,
- roupas e
- produtos de higiene.
O envio direto de donativos para Juiz de Fora, no entanto, não é necessário neste momento, já que o abastecimento emergencial está sob controle.
A Fundação Hemominas também fez um apelo à população para doação de sangue, diante da queda nos estoques provocada pelas dificuldades de deslocamento de doadores e equipes em razão das chuvas.]
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