PUBLICADO EM 17 de mar de 2026

Centrais sindicais preparam marcha nacional à Brasília e descentralizam 1º de Maio

Centrais sindicais orientam seus filiados a prepararem a marcha unitária para Brasília no dia 15 de abril de 2026. Quanto a organização do 1° de maio, propõem atos descentralizados em todas as cidades do país para ampliar mobilização e o debate por redução da jornada, fim da escala 6×1 e direitos trabalhistas e sociais.

As centrais sindicais descentralizam os atos do 1º de Maio de 2026.

As centrais sindicais descentralizam os atos do 1º de Maio de 2026.

As centrais sindicais, CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB, NCST, Intersindical e Pública, decidiram descentralizar os atos do 1º de Maio de 2026 como estratégia para ampliar a mobilização nacional e massificar as principais pautas da classe trabalhadora. A decisão foi tomada durante reunião realizada nesta segunda-feira (16), na sede da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), em São Paulo.

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Nessa decisão, participaram do encontro dirigentes das entidades sindicais, representando seus filiados  . Além de definir a estratégia para o 1º de Maio, as centrais também avançaram na organização da Plenária e da Marcha da Classe Trabalhadora, marcada para o dia 15 de abril, em Brasília, com expectativa de reunir cerca de 10 mil trabalhadores de todo o país.

Mobilização nacional e estratégia descentralizada

A orientação para o 1º de Maio é que os sindicatos realizem atos diretamente em suas bases, promovendo mobilizações nos locais de trabalho e nas regiões onde atuam. A proposta é ampliar o alcance das ações, fortalecer o diálogo com os trabalhadores e dar maior visibilidade às reivindicações do movimento sindical.

Também será realizado um ato em Brasília no dia 15 de abril. A programação da mobilização na capital federal uma marcha e a entrega da Pauta da Classe Trabalhadora aos presidentes dos Três Poderes e às principais instituições do país.

O documento, que foi distribuído a todos os sindicatos filiados de cada central, e transformado em documento unitário das centrais participantes, será apresentado em Brasília e aprovado. Deppois disso será entregue ao presidente Lula, ao presidente do Senado Davi Alcolumbre e ao presidente da Câmara Federal Hugo Motta.

Como parte da estratégia de mobilização, as centrais também vão intensificar a participação de sindicatos, federações e confederações na organização das atividades e no deslocamento de trabalhadores para Brasília, além de envolver movimentos populares e estudantis na jornada de lutas.

Cartaz de convocação da Marcha para Brasília em 15 de abril de 2026

Cartaz de convocação da Marcha para Brasília em 15 de abril de 2026

Pauta trabalhista ganha centralidade no debate político

Entre as principais bandeiras dos atos estão a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, e o fim da escala 6×1, a geração de trabalho decente, fortalecimento da negociação coletiva e combate à pejotização e a queda na taxa de juros. As entidades também abordarão temas sociais como o enfrentamento à violência contra as mulheres e ao feminicídio.

Durante a reunião, o presidente da UGT, Ricardo Patah, destacou que as centrais irão mobilizar sindicatos, federações e confederações em todo o país para pressionar pela aprovação da redução da jornada de trabalho. Segundo ele, também será solicitada uma reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para que o projeto seja pautado ainda no primeiro semestre.

“Com o projeto em votação no plenário, a chance de vencermos é muito grande, pois, em um ano eleitoral, nenhum deputado vai se expor votando contra os interesses dos trabalhadores e da sociedade. Segundo pesquisa do Datafolha, 71% da população é favorável à redução da jornada e ao fim da escala 6×1”, afirmou Patah.

A partir de maio, será lançado em todas as capitais o documento com a pauta da classe trabalhadora para o período 2027–2030, consolidando as reivindicações e orientando a atuação sindical no próximo ciclo político.

Com a descentralização do 1º de Maio e a preparação da marcha em Brasília, as centrais apostam em uma mobilização mais ampla e capilarizada, capaz de envolver um número maior de trabalhadores e fortalecer a pressão social em defesa de direitos, melhores condições de trabalho e justiça social.

Repercussão

Em declaração ao Painel da Folha, o presidente da CUT, Sérgio Nobre, destacou que a decisão de descentralizar os atos do 1º de Maio busca resgatar a essência histórica da mobilização sindical:

“Vamos inovar e voltar às raízes”, afirmou. Sobre o cenário eleitoral, ele ponderou que, embora a data tenha potencial de ganhar significado político, as centrais ainda não definiram posição. “No momento certo da campanha eleitoral, as centrais vão se manifestar”, disse ao jornal.

Na mesma nota, João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, disse que a estratégia tem como objetivo fortalecer a mobilização nas bases, especialmente em um momento em que estão em debate pautas centrais para a classe trabalhadora, como a redução da jornada, o fim da escala 6×1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos.

“Queremos ver centenas, milhares de atos pelo Brasil. Cada sindicato deve chamar sua base e promover a data da maneira que achar mais conveniente”, afirmou.

Sobre a decisão, Patah também falou à Folha. Segundo ele:

“É uma decisão dolorosa, estamos acostumados a fazer o evento de Primeiro de Maio unificado, com uma grande mobilização. Mas é uma decisão amadurecida. Vamos investir na marcha. Iremos todos empenhados, levar a pauta de 6×1, e seremos recebidos pelo presidente”.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, no site da entidade, destacou: “É importante que todas as entidades enviem o máximo de representantes, em ônibus de diversas cidades, para mostrar participação e unidade na Conferência e Marcha, ressaltando que este ano teremos eleições majoritárias e queremos demonstrar unidade e propostas para um País mais justo.”

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