
Participe da discussão sobre as Centrais Sindicais e o tarifaço. Entenda os impactos nas campanhas salariais e nos empregos.
Na manhã desta quarta-feira (13), o Fórum das Centrais Sindicais realizou uma live nacional para discutir o “Tarifaço e Medidas de Proteção do Emprego e as estratégias para as Campanhas Salariais do segundo semestre”. O encontro, transmitido pelo canal da CUT no YouTube, reuniu presidentes das oito principais centrais do país, dirigentes de diversas categorias e o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
A medida que motivou o debate foi a tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros — sobretaxa considerada uma afronta à soberania nacional e um ataque político à economia, com potencial para provocar desemprego e reduzir a atividade de setores estratégicos.
Abertura e impactos econômicos
O coordenador do Fórum, Clemente Ganz Lúcio, abriu a transmissão ressaltando que o tarifaço envolve impactos econômicos significativos e exige organização das campanhas salariais e defesa dos empregos. Ele anunciou que o governo criará mesas setoriais para buscar soluções e articulação com empregadores e Congresso Nacional.
A coordenadora-técnica do Dieese, Adriana Marcolino, apresentou um panorama detalhado: em 2024, os EUA foram destino de 12% das exportações brasileiras, somando US$ 40,4 bilhões. O tarifaço incide sobre US$ 14,5 bilhões (35,9%) dessas vendas — atingindo principalmente produtos metalúrgicos, químicos, alimentícios, madeira, vestuário e calçados. Outros US$ 18 bilhões (44,6%) ficaram fora da sobretaxa de 50%, mas recebem tarifas adicionais de até 10%, enquanto US$ 7,9 bilhões (19,5%) já tinham alíquotas específicas, como 25% para autopeças e 50% para aço e alumínio.
Segundo estimativas, no cenário mais pessimista, a medida pode gerar 726,7 mil demissões, queda de R$ 38,87 bilhões no valor adicionado à economia, redução de R$ 14,33 bilhões na massa salarial e impacto negativo de 0,36% no PIB em um ano. Mesmo no cenário moderado, há risco de 188,7 mil desempregos e retração de 0,26% do PIB.
O Dieese alertou que 3.075 empresas exportadoras têm negociações coletivas ativas, com concentração entre setembro e novembro, abrangendo 1.459 sindicatos. “É preciso atenção para evitar que empresas usem o tarifaço como argumento para reduzir direitos ou rebaixar reajustes”, destacou Adriana.
Ataque à soberania
O presidente da CUT, Sergio Nobre, classificou as sanções como um ataque direto à economia e à soberania brasileiras:
“O presidente Lula vem reagindo de forma correta, com serenidade e firmeza. Sabemos que os EUA têm mais instrumentos de pressão, mas o Brasil é uma nação grande e deve agir de cabeça erguida, sem subserviência.”
Ele defendeu mesas de negociação rápidas, com prazo máximo de 10 dias para acordos, e apoiou o pacote de R$ 30 bilhões proposto pelo governo, condicionado à preservação dos empregos. Também alertou contra a prática patronal de adiar campanhas salariais, pedindo que todas as centrais apoiem as negociações do segundo semestre.
Ação coletiva e defesa do comércio
O presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, afirmou que o momento exige ação coordenada e criticou a motivação política das sobretaxas. Embora o comércio não esteja entre os setores mais afetados diretamente, ele alertou para o impacto indireto sobre trabalhadores comissionistas em regiões ligadas ao agronegócio.
Patah destacou a importância da ação unitária, lembrando o papel das centrais durante a pandemia na conquista do auxílio emergencial de R$ 600. Citou exemplo da negociação com a IBM, que obteve aumento real mesmo em meio ao tarifaço, e relatou participação no L20, na África do Sul, onde denunciou a medida e recebeu apoio internacional.
Também rechaçou declarações de Trump contra o comércio popular paulistano, lembrando manifestação dos Comerciários na 25 de Março:
“Ele deveria se preocupar com a pirataria no país dele.”
Novos mercados e sindicalismo forte
Representando a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), o presidente Moacyr Auersvald destacou a firme atuação do presidente Lula na defesa da soberania e da democracia. Ele alertou para impactos diretos em setores como têxtil e calçados e elogiou a abertura de 387 novos mercados como forma de reduzir a dependência dos EUA:
“Ter um único cliente é sempre arriscado; quando ele vira as costas, o problema é muito maior.”
Moacyr expressou confiança na medida provisória que será enviada pelo governo com ações de apoio às empresas e proteção ao emprego, e reforçou que “o sindicalismo forte é necessário” para enfrentar o momento.
Luiz Marinho: medidas de proteção e vigilância sindical
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o governo está elaborando medidas para proteção do emprego e diversificação de mercados, incluindo compras governamentais, linhas de crédito e exigência de manutenção de postos de trabalho nas empresas beneficiadas.
“Não podemos nos desesperar. Hoje nossa dependência dos Estados Unidos é muito menor do que em 2003. Essa crise pode acelerar a diversificação da nossa economia. O fundamental é que sindicatos acompanhem de perto a situação das empresas para evitar rebaixamento das negociações”, declarou.
Mobilização nacional no 7 de setembro
As centrais sindicais convocaram atos em todo o país no 7 de setembro. Em São Paulo, a manifestação será na Praça da República, a partir das 9h, em defesa da soberania, do emprego e da democracia.
“Temos de mostrar que o povo brasileiro não se ajoelha para ninguém”, afirmou Sergio Nobre.
Plataforma e agenda unificada
Foi lançado o site Tarifaço e Medidas de Proteção do Emprego para monitorar impactos do tarifaço nas negociações coletivas, suspensão de contratos e demissões.
Além da reação às sobretaxas, a agenda conjunta das centrais inclui bandeiras como redução da jornada de trabalho, fim da escala 6×1, atualização da tabela do Imposto de Renda e taxação dos super-ricos.
Assista aqui a live das centrais:
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