
Câmara aprovou urgência da anistia e travou projetos sociais
A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (17) o regime de urgência do projeto de anistia, com 311 votos favoráveis, 163 contrários e sete abstenções.
A decisão permitiu que o mérito fosse votado diretamente em plenário, sem passar por comissões, e representou dura derrota para o governo, expondo fragilidade política.
Hugo Motta conduziu a sessão e abriu os trabalhos exclusivamente para essa votação. Logo após a aprovação, ele encerrou a sessão, ignorando demais projetos aguardados.
O Planalto interpretou a atitude como humilhação, pois esperava que Motta barrasse ou adiasse o tema. Assim, frustrou-se a expectativa governista de controle parlamentar.
Entre os projetos adiados ficaram o pacote da segurança pública, destinado ao combate ao crime organizado, e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
Nos bastidores, deputados revelaram acordo para Paulinho da Força assumir a relatoria. Ele planejava apresentar um substitutivo reduzindo penas, inclusive de Jair Bolsonaro, sem conceder anistia plena.
A previsão indicava que esse novo texto seria votado na próxima semana, acomodando pressões bolsonaristas e setores do Centrão, que cobravam espaço na negociação.
O texto usado como base foi de Marcelo Crivella. Sua proposta concedia anistia ampla a atos políticos desde 30 de outubro de 2022, pacíficos ou violentos.
A amplitude do projeto provocou reação intensa em plenário. Parlamentares contrários gritaram “sem anistia” e alertaram para riscos de esvaziar a responsabilização criminal dos envolvidos nos ataques.
A aprovação da urgência evidenciou a força da articulação entre Centrão e extrema direita, que priorizaram aliviar envolvidos em atos golpistas e bloquearam medidas sociais urgentes.
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