PUBLICADO EM 18 de set de 2025

Câmara aprovou urgência da anistia e travou projetos sociais

Com 311 votos, a Câmara aprovou urgência da anistia ligada a 8 de janeiro e deixou de lado propostas sociais como segurança pública e justiça fiscal

Câmara aprovou urgência da anistia e travou projetos sociais

Câmara aprovou urgência da anistia e travou projetos sociais

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (17) o regime de urgência do projeto de anistia, com 311 votos favoráveis, 163 contrários e sete abstenções.

A decisão permitiu que o mérito fosse votado diretamente em plenário, sem passar por comissões, e representou dura derrota para o governo, expondo fragilidade política.

Hugo Motta conduziu a sessão e abriu os trabalhos exclusivamente para essa votação. Logo após a aprovação, ele encerrou a sessão, ignorando demais projetos aguardados.

O Planalto interpretou a atitude como humilhação, pois esperava que Motta barrasse ou adiasse o tema. Assim, frustrou-se a expectativa governista de controle parlamentar.

Entre os projetos adiados ficaram o pacote da segurança pública, destinado ao combate ao crime organizado, e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.

Nos bastidores, deputados revelaram acordo para Paulinho da Força assumir a relatoria. Ele planejava apresentar um substitutivo reduzindo penas, inclusive de Jair Bolsonaro, sem conceder anistia plena.

A previsão indicava que esse novo texto seria votado na próxima semana, acomodando pressões bolsonaristas e setores do Centrão, que cobravam espaço na negociação.

O texto usado como base foi de Marcelo Crivella. Sua proposta concedia anistia ampla a atos políticos desde 30 de outubro de 2022, pacíficos ou violentos.

A amplitude do projeto provocou reação intensa em plenário. Parlamentares contrários gritaram “sem anistia” e alertaram para riscos de esvaziar a responsabilização criminal dos envolvidos nos ataques.

A aprovação da urgência evidenciou a força da articulação entre Centrão e extrema direita, que priorizaram aliviar envolvidos em atos golpistas e bloquearam medidas sociais urgentes.

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