PUBLICADO EM 17 de set de 2025

Câmara aprova texto-base da PEC da Blindagem

A Câmara aprova texto-base da proposta de emenda à Constituição com 344 votos a favor. Saiba mais sobre a votação

Câmara aprova texto-base da PEC da Blindagem

Câmara aprova texto-base da PEC da Blindagem – Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou, em segundo turno, o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê autorização da Câmara ou do Senado para o Supremo Tribunal Federal (STF) processar deputado ou senador. Foram 344 votos a favor e 133 contra o texto, em segundo turno.

Confira como os deputados votaram em 1º turno

A PEC 3/21 foi batizada pelos parlamentares de PEC das Prerrogativas. Para concluir a votação, os deputados ainda precisam analisar dois destaques que podem alterar pontos da proposta. Essa votação ocorrerá em outra sessão, em data a ser definida.

Voto secreto

No começo da madrugada desta quarta-feira (17), o Plenário rejeitou a exigência de votação secreta por falta de quórum para decidir se parlamentares podem ser processados criminalmente pelo Supremo.

Foram apenas 296 votos a favor do voto secreto, quando o mínimo para manter a regra é de 308 votos. Outros 174 deputados votaram a favor do destaque do Novo pela retirada da votação secreta. Dessa forma, a votação deverá ser aberta e realizada em um prazo de 90 dias, contado do recebimento da ordem emitida pelo STF.

O deputado Gilson Marques (Novo-SC) deu argumentos contra o voto secreto, como a falta de transparência, a dificuldade de o eleitor saber como pensa seu representante, menos responsabilidade do parlamentar e incentivo à corrupção.

“Qual a vergonha de apresentar seu voto, de defender sua posição, de atuar como representante, se o voto é sigiloso?”, questionou.

Logo após a votação do destaque, a sessão do Plenário foi encerrada.

Prerrogativas

Segundo o texto do relator, deputado Claudio Cajado (PP-BA), deputados e senadores somente poderão ser alvo de medidas cautelares de natureza pessoal ou real provenientes do Supremo.

Isso se aplica a qualquer tempo após a concessão do diploma de eleito, mesmo que ele deixe de ser parlamentar e o processo que originou a medida cautelar se refira a fato que teria sido cometido durante esse período.

Claudio Cajado afirmou que as prerrogativas não são privilégios incompatíveis com a República.

“São, em verdade, garantias indispensáveis à própria viabilidade institucional do Legislativo, pilar fundamental do Estado Democrático de Direito”, disse.

Sem as prerrogativas, declarou Cajado, o parlamentar não teria autonomia para cumprir o mandato.

“As prerrogativas institucionais estão presentes em todas as Constituições brasileiras, tendo sido tolhidas apenas em períodos autoritários”, afirmou, ao defender a ligação dessas garantias com a democracia.

De acordo com Cajado, as imunidades previstas na Constituição são indispensáveis para congressistas exercerem suas atribuições com independência, sem temer perseguições políticas ou intimações.

Debate em Plenário

Para o líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), a PEC não é de interesse dos brasileiros. “A pauta nossa tem de ser a vida do povo, e é nisso que insistimos”, disse, ao citar a Medida Provisória 1300/25, que isenta famílias de baixa renda da conta de luz em casos de baixo consumo. A MP, que aguarda votação no Plenário, perde a validade nesta quarta-feira (17).

Já o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), vice-líder da Minoria, afirmou que o texto da PEC está longe do ideal, mas protege deputados de “processo criminal abusivo” que possa passar sem avaliação da Câmara.

“Isto aqui é um grande avanço, porque, inclusive, nós poderemos decidir se uma ação, se um processo criminal deve avançar contra deputados que, muitas vezes, são perseguidos por suas falas.”

Para o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), vice-líder da oposição, a PEC não é da imunidade ou da blindagem, mas um equilíbrio de poderes.

“Que democracia é esta em que o Parlamento, que tem representação de 100% da população, é chantageado por outros Poderes?”, questionou.

O deputado General Girão (PL-RN) também defendeu as prerrogativas parlamentares.

“O constituinte deixou muito claro que nós, deputados e senadores, temos de ser invioláveis por quaisquer opiniões, palavras e votos”, afirmou.

Críticas à proposta

A líder do Psol, deputada Talíria Petrone (RJ), afirmou que a imunidade parlamentar não é absoluta. “Esta não é a agenda que o Brasil espera de nós”, declarou. Ela criticou a possibilidade de a medida beneficiar deputados que cometeram crimes hediondos, como estupro e latrocínio, os quais dependeriam do aval do Congresso para serem processados.

O deputado Bohn Gass (PT-RS) afirmou que não existe justificativa para exigir autorização do Congresso para investigar e punir um congressista. “A imunidade parlamentar não pode ser confundida com impunidade parlamentar”, declarou.

O deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE) destacou que a PEC poderia ter sido construída para apresentar um texto razoável.

“Se há reclamações de excesso, podemos ouvir e tentar construir um texto melhor. Mas o que está aqui é um crime contra a democracia”, afirmou.

O deputado Luiz Carlos Hauly (Pode-PR) disse ser contra qualquer privilégio ou prerrogativa que um parlamentar honesto não precisa.

“Nunca precisei da proteção da lei, mais que o cidadão tem”, declarou.

Crime organizado

O deputado Kim Kataguiri (União-SP) afirmou que aprovar a PEC significa incentivar o crime organizado a disputar cadeiras e vencer eleições para escapar de investigações.

“Durante o período da Constituição de 1988, quando o texto que querem aprovar agora estava em vigor, nenhuma investigação foi autorizada”, disse.

Kataguiri afirmou que a proposta não reage a abusos do STF, mas cria abusos do Parlamento para blindar a corrupção.

“O que está sendo votado é a diferença entre o remédio e o veneno, é a dose”, declarou.

A deputada Duda Salabert (PDT-MG) disse que a PEC “vai justamente beneficiar o corrupto, beneficiar o ladrão”. De acordo com ela, a proposta vai tentar salvar parlamentares investigados e que podem ser presos, por exemplo, por desvio de emendas parlamentares.

Voto secreto

O deputado Ivan Valente (Psol-SP) criticou a tentativa de retorno do voto secreto dos parlamentares.

“Qualquer crime comum seria julgado em conluio e corporativismo, por debaixo do pano, no voto secreto para livrar a cara de um e de outro”, disse.

Ivan Valente coordenou a frente parlamentar pelo voto aberto quando o Congresso alterou a Constituição em 2013 para prever esse tipo de votação.

A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) afirmou que a defesa do voto secreto busca proteger deputados da pressão da opinião pública e dos eleitores.

Porém, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que o voto secreto serviria para garantir que o Supremo Tribunal Federal (STF) não chantageie deputados.

Para o deputado Sargento Gonçalves (PL-RN), esse tipo de voto é “na intenção de preservar o parlamentar da perseguição dos ministros do Supremo Tribunal Federal, e não da população”.

Saiba mais sobre a tramitação de propostas de emenda à Constituição

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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