
Foto: Enrique De La Osa
Cuba completou três meses sem receber carregamentos de combustível, em meio ao endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos. A medida inclui ameaças de sanções a países que vendam petróleo à ilha caribenha.
Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (13), em Havana, o presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que a escassez de combustível tem provocado apagões prolongados em diversas regiões do país, com municípios chegando a registrar até 30 horas consecutivas sem energia elétrica.
“Já se passaram mais de três meses desde que um navio-tanque entrou em nosso país. Estamos trabalhando em condições muito adversas, com impactos imensuráveis na vida de toda a população”, declarou.
Cerca de 80% da eletricidade em Cuba é gerada por usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis. Segundo o governo cubano, as restrições impostas pelo governo do presidente Donald Trump reduziram drasticamente a capacidade do país de adquirir petróleo no mercado internacional. A situação teria sido agravada pelo bloqueio naval dos Estados Unidos à Venezuela a partir do final de 2025, dificultando ainda mais o abastecimento energético da ilha.
Durante a coletiva, Díaz-Canel informou que Havana iniciou recentemente conversações preliminares com representantes do governo norte-americano. Segundo ele, o objetivo é buscar, por meio do diálogo, uma possível solução para as divergências bilaterais entre os dois países.
“As conversações estão em fase inicial e têm sido facilitadas por atores internacionais. Informamos aos Estados Unidos nossa disposição de continuar o diálogo com base na igualdade, no respeito aos sistemas políticos de ambos os países e nos princípios de soberania e autodeterminação”, afirmou.
Apesar das tratativas, o presidente norte-americano tem mantido um tom de pressão. Trump declarou recentemente que Cuba deve passar por uma “mudança em breve”, sem detalhar a natureza dessa possível transformação.
Medidas para enfrentar a crise
O governo cubano afirma estar adotando medidas emergenciais para amenizar os efeitos da crise energética. Entre elas estão o aumento da produção de petróleo nacional, a ampliação da capacidade de geração por energia solar e o incentivo ao uso de veículos elétricos.
Segundo Díaz-Canel, durante o dia parte significativa da eletricidade tem sido gerada com petróleo bruto produzido no próprio país e por fontes renováveis, que chegam a responder por cerca de metade da energia disponível nesse período.
Mesmo assim, o presidente reconheceu que a dependência de petróleo importado ainda é essencial para manter serviços básicos, como saúde, educação, transporte e a distribuição de energia.
A escassez já impacta diretamente o sistema de saúde. “Dezenas de milhares de pessoas aguardam cirurgias que não podem ser realizadas devido à falta de energia elétrica. Entre elas há um número significativo de crianças”, afirmou.
Situação se agrava no interior
Moradores relatam que o país vive um dos momentos mais difíceis dos últimos anos, após o endurecimento das sanções energéticas anunciado por Washington no final de janeiro.
Entre os principais efeitos estão o aumento dos apagões, a alta no preço de produtos básicos, a redução do transporte público e a diminuição da oferta de alimentos da cesta básica subsidiada pelo Estado.
A situação é considerada mais grave nas províncias do interior da ilha, onde os cortes de energia podem durar quase o dia inteiro.
No dia 29 de janeiro, o governo dos Estados Unidos classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, citando o alinhamento político de Havana com Rússia, China e Irã. A decisão prevê tarifas comerciais contra produtos de países que forneçam petróleo à ilha.
O embargo econômico norte-americano contra Cuba dura mais de seis décadas e foi estabelecido após a Revolução Cubana, em 1959. Desde então, o bloqueio tem sido um dos principais pontos de tensão entre os dois países.
Com Agência Brasil
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