PUBLICADO EM 18 de fev de 2026

Argentina: histórica fábrica de pneus fecha e ameaça empregos; Sintrabor se solidariza

A fábrica de pneus Fate encerra operações na Argentina, resultando em demissões e agravando a crise econômica do país.

A Fate, maior fábrica de pneus da Argentina, fecha suas operações em Buenos Aires, afetando mais de 900 empregos.

A Fate, maior fábrica de pneus da Argentina, fecha suas operações em Buenos Aires, afetando mais de 900 empregos.

A Fate, maior produtora de pneus da Argentina, anunciou nesta quarta-feira (18) o encerramento de suas operações industriais na região de Buenos Aires. Segundo a empresa, a decisão, que resultará na demissão de mais de 900 trabalhadores, está relacionada à perda de competitividade diante do crescimento das importações no mercado interno.

Com mais de 80 anos de história e capacidade instalada para a fabricação de cerca de 5 milhões de pneus por ano, a Fate passa a integrar a lista de mais de 21 mil empresas que encerraram suas atividades no país nos últimos dois anos. De acordo com lideranças sindicais, esse movimento já provocou a eliminação de aproximadamente 300 mil postos de trabalho no mesmo período.

Medidas neoliberais

O fechamento ocorre em meio ao aprofundamento das políticas de liberalização econômica promovidas pelo governo de Javier Milei, que incluem a ampliação da abertura comercial e reformas nas relações de trabalho.

Nesta semana, trabalhadores realizaram uma paralisação nacional de 24 horas contra a reforma trabalhista aprovada pelo Senado e atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados.

Protestos

Na porta da fábrica, localizada na periferia norte de Buenos Aires, trabalhadores protestaram contra a decisão, chegando a queimar pneus enquanto permaneciam mobilizados após a divulgação de um comunicado oficial confirmando o encerramento das atividades.

A empresa informou que efetuará o pagamento das indenizações previstas em lei, mas sindicatos pressionam o governo argentino a intervir para impedir o fechamento da unidade industrial. Secretário-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores do Pneu (Sutna) e funcionário da empresa há duas décadas, Alejandro Crespo afirmou que a entidade buscará alternativas para preservar os empregos.

“Vamos adotar todas as medidas necessárias para restabelecer as operações; acreditamos que há uma solução possível”, declarou o dirigente sindical durante ato em frente à fábrica.

Sintrabor

Diante do anúncio do fechamento da fábrica de pneus FATE, na Argentina, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Borracha (Sintrabor) manifestou solidariedade aos trabalhadores afetados pela medida, que deve resultar na demissão de mais de 900 funcionários.

Em nota assinada pelo presidente Márcio Ferreira, a entidade expressa apoio às ações do Sindicato Único dos Trabalhadores do Pneu da Argentina (SUTNA) na busca por uma solução negociada que preserve os empregos, os direitos trabalhistas e a continuidade das atividades da empresa. O Sintrabor também defende a adoção de políticas públicas que protejam a indústria nacional diante da concorrência de produtos importados, com vistas à manutenção da produção e ao fortalecimento da economia argentina.

Diz a nota:

Todo o nosso apoio e solidariedade ao SUTNA, aos trabalhadores da FATE e demais pneumáticas da Argentina

Com grande estarrecimento e indignação recebemos aqui no Brasil a notícia da decisão unilateral do fechamento da FATE, empresa nacional de pneus Argentina, com 80 anos de existência e empregando um total de 920 funcionários.

Essa medida extrema do patronal da FATE, terá gravíssimas consequências econômicas e sociais aos trabalhadores, seus familiares e a população, além de afetar consideravelmente a já convalescida economia Argentina.

Nesse sentido, o SINTRABOR e a FENABOR manifestam sua total solidariedade e apoio ao trabalho e ações do SUTNA, na busca do diálogo tripartite por uma solução negociada que garantam os empregos, os direitos, a negociação coletiva, e uma política governamental protetiva contra a concorrência desleal de pneus importados, e garantia da manutenção da empresa no mercado Argentino, para o fortalecimento da economia e melhores condições de vida para os trabalhadores e a população Argentina.

Márcio Ferreira – Presidente SINTRABOR/FENABOR

Desindustrialização

Segundo dados da consultoria privada PxQ, as importações de pneus cresceram 34% entre 2023 e 2025, enquanto os preços internos no mercado argentino registraram queda de 42% no mesmo período — fator que teria contribuído para a inviabilização econômica da produção local, conforme alegado pela companhia, que atribuiu o fechamento a “alterações nas condições do mercado”.

Para representantes do movimento sindical, o caso evidencia os efeitos imediatos da combinação entre abertura comercial acelerada e flexibilização das relações de trabalho sobre a indústria nacional e o emprego.

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