
Nilton Neco, secretário Internacional da Força Sindical e secretário geral da ADS
Por Renato Ilha
Presidente do Sindicato dos Comerciários de Porto Alegre (Sindec), o sindicalista reafirma o propósito da criação da ADS, calcado no compromisso de unir a classe trabalhadora e combater a política de países que atentam contra a liberdade sindical, a democracia e o direito dos trabalhadores. Neco explica o surgimento da ADS, que ocorre a partir de uma dissidência da Confederação Sindical das Américas (CSA), entidade em que havia um debate com forte viés ideológico, que não respeitava posições contrárias.
Um grupo de dirigentes das grandes centrais decidiu pela saída da CSA, adotando como diretriz a prática de um sindicalismo ligado à questão classista e não aos governos, independente da orientação que siga. Esse vem sendo o posicionamento da ADS na América, no Caribe e nos demais continentes, assim como na Organização Internacional do Trabalho, única agência multilateral da Organização das Nações Unidas (ONU) que possui estrutura tripartipe, com representantes de governos e organizações de empregadores e de trabalhadores.
Extrema direita e pandemia
Fundada no contexto da ascensão de partidos de extrema direita em todo o mundo e da disseminação da pandemia do novo coronavírus, a ADS se depara com o discurso nacionalista de proteção das fronteiras e do comércio em meio à estagnação econômica mundial. Em um ideário político vinculado aos interesses de dominação, opressão e apropriação privada da riqueza social, a extrema direita é marcada pela intolerância e violência de suas ações.
Diante desse quadro, o secretário-geral da ADS observa não ter visto governo de direita ou de esquerda como defensor dos direitos sociais e classistas. “Sempre houve arrocho!”, aponta o sindicalista, ao justifica a posição mais ao centro da Alternativa Democrática Sindical.
Ao falar do Brasil, que já vem sofrendo os efeitos das reformas trabalhista e previdenciária, Nilton Neco expressou o retrocesso da eleição de um governante de extrema direita nas últimas eleições presidenciais. O presidente do Sindec considera lamentável a eleição de um presidente que não respeita as liberdades democráticas, a Ciência e o movimento social. Ele apoia a unidade construída pelas centrais sindicais em torno de bandeiras em favor do trabalhador, como vacinação para todos e continuidade do auxílio emergencial, dentre outras causas.
Luto
Nilton Neco lamentou a perda do presidente da CGT Colombiana, Julio Roberto Esguerra, que também exercia a presidência da ADS. Para ele, o falecimento de Esguerra representa uma baixa para o sindicalismo mundial, que fica sem um de seus grandes timoneiros.