PUBLICADO EM 06 de nov de 2020
COMPARTILHAR COM:

A música como forma de resistência; dos irmãos Gershwin a Luhli e Lucina

A dupla sertaneja Luhli e Lucina, de Mato Grosso, canta o desejo de suplantar a maldade e unir forças para o “milagre da vida”.

 

Luhli e Lucina

Por Marcos Aurélio Ruy

O tempo não para já dizia Cazuza. E como a vida segue em frente, resistir é o verbo de quem acredita no futuro e na humanidade. Os irmãos estadunidenses George e Ira Gershwin mostram a força da música para levantar os mais deprimidos entre os niilistas.

A dupla sertaneja Luhli e Lucina, de Mato Grosso, canta o desejo de suplantar a maldade e unir forças para o “milagre da vida”. A gaúcha Adriana Calcanhotto lembra que a vida não espera e o nosso tempo é hoje. Enquanto o paulista Pélico acredita que a fé nos sonhos de construir um mundo mais solidário não acaba nunca.

O baiano Dorival Caymmi é um dos maiores talentos da música popular brasileira, influenciando até os bossanovistas com sues samba-canções, quem nunca cantarolou “Marina” (1947)? Sem Caymmi a MPB não seria o que é.

Luhli e Lucina

A dupla sertaneja Luhli e Lucina começou nos anos 1970 e encerrou carreira em 1996, cada uma seguindo carreira solo. A Luhli (Heloísa Orosco Borges da Fonseca, 1945-2018) foi parceira de João Ricardo nas canções “O Vira” e “Fala”, lançadas no primeiro disco do grupo Secos & Molhados, em 1973. Já Lucina (Lucia Helena Carvalho e Silva), que completará 70 anos em dezembro, continua na ativa. As duas são de Cuiabá, capital de Mato Grosso.

“Mas um dia chegou e nóis desprevinidos

(e nóis desprevinido)

Caímos no chão como dois inimigo

(como dois inimigo)

Nos batendo, estropiando

Destruindo o construído

(destruindo o construído)

No fundo do tacho um gosto de fel

Mas um dia as abelhas se voltam todinhas

E no milagre da lida

No milagre da lida o amor vira mel

Êta nóis!”

 

Êta nóis (1984 ), de Luhli e Lucina, participação especial de Ney Matogrosso

George e Ira Gershwin

Os irmãos George Gershwin (1898-1937) e Ira Gershwin (1896-1983) estão entre os mais compositores dos Estados Unidos e do mundo. Suas canções aparecem em diversos filmes e forma gravadas por Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Charlie Parker (The Bird) , Oscar Peterson, Miles Davis, Frank Sinatra, Doris Day, João Gilberto, Fred Astaire, Janis Joplin, John Coltrane, e muitos outros grandes artistas.

“Quem poderia pedir mais alguma coisa?

Os dias podem ser ensolarados, sem nenhum suspiro

 

Não precisa do que o dinheiro pode comprar

Pássaros nas árvores cantam o dia

Por que não deveríamos cantar junto?”

 

Eu Tenho Ritmo (I’ve Got Rhythm, 1930), de George e Ira Gershwin

Adriana Calcanhotto

A cantora, compositora, instrumentista, produtora musical, arranjadora, escritora e ilustradora gaúcha Adriana Calcanhotto iniciou carreira nos anos 1980. Desde então brilha no cenário da MPB

“Entre por essa porta agora

E diga que me adora

Você tem meia hora

Pra mudar a minha vida

Vem, vambora

Que o que você demora

É o que o tempo leva”

 

Vambora (1998), de Adriana Calcanhotto

Pélico

O paulista Robson Pélico está na estrada profissionalmente desde 2006. Suas canções mistura rock com MPB e outros gêneros.

“Triste daqueles que não sabem mais contemplar

E juram que podem julgar

Nada vai nos alcançar

 

A vida pertence a verdade

Dos sonhos que vão te buscar”

 

Tenha Fé, Meu Bem (2011), de Pélico

Dorival Caymmi

Vem da Bahia os om inovador de Dorival Caymmi (1914-2008). Caymmi trouxe o som da Bahia para o eixo Rio-São Paulo e nunca mais saiu das paradas. Influenciou compositores de outras gerações como Caetano Velos, Gilberto Gil e Chico Buarque, além de João Gilberto. É um dos maiores nomes da MPB de todos os tempos.

“Vida de negro é difícil, é difícil como o quê

Vida de negro é difícil, é difícil como o quê

Eu quero morrer de noite, na tocaia me matar

Eu quero morrer de açoite se tu, negra, me deixar

 

Vida de negro é difícil, é difícil como o quê”

 

Retirantes (Vida de Negro, 1976), de Dorival Caymmi

 

 

 

ENVIE SEUS COMENTÁRIOS

QUENTINHAS