PUBLICADO EM 27 de fev de 2020
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O socialismo democrático feminista de Julia Reichert, diretora de “Indústria Americana”

A três vezes indicada ao Oscar finalmente teve a chance de fazer um discurso de agradecimento, quando “Indústria Americana” ganhou por Melhor Documentário. Durante o discurso, Reichert citou o Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, proclamando na TV ao vivo: “Os trabalhadores tem mais e mais dificuldades nos dias de hoje – e nós acreditamos que as coisas vão melhorar quando ‘trabalhadores de todo mundo uni-vos!’”

Por Ed Rampell

Um dia antes de Julia Reichert ter citado Marx na cerimônia do Oscar, a revista Jacobin conversou brevemente com a codiretora de “Indústria Americana”, Julia Reichert, sobre seu socialismo democrático e sua longa história na esquerda.

Na cerimônia do Film Independent Spirit Awards, Julia Reichert mencionou “desigualdade de renda” durante seu discurso por receber o prêmio de melhor documentário, por “Indústria Americana”. O primeiro filme lançado pela produtora de Barack e Michelle Obama, Higher Ground Productions, “Indústria Americana” é sobre um capitalista chinês que reabre uma fábrica fechada em Ohio, empregando milhares de trabalhadores americanos.

Durante a conferência de imprensa na tenda da mídia no Spirit Awards, em Santa Mônica, eu perguntei a Reichert, que foi previamente indicada ao Oscar pelos documentários de 1976 e 1983, “Union Maids” e “Seeing Red”: “Você acha que o Socialismo é a resposta para desigualdade de renda?” Reichert perguntou quantas pessoas haviam assistido “Seeing Red”, sobre os membros do Partido Comunista americano, e riu porque eu parecia ser o único membro da mídia que havia visto o filme.

Reichert, que estava perto de seu codiretor de “Indústria Americana” Steven Bognar, me disse que: “Eu volto há um longo caminho. Eu fui antes de Bernie Sanders. Eu volto para os anos de 1960 – Eu sou velha. Se eu penso que o Socialismo é a resposta para nosso país? Nós devemos todos… compartilhar a riqueza. Nós devemos cobrar impostos das pessoas ricas, mais do que elas são cobradas. Assistência médica devia ser para todos. É mais como o que eu chamaria de ‘socialismo democrático feminista’. E é sobre isso que eu sempre fui. E ninguém me pergunta mais,” ela meditou.

“Você sabe, é engraçado, as coisas que nós costumávamos acreditar no final dos anos 1960 e início dos 1970, costumávamos falar sobre ‘feminismo socialista’, ‘socialismo democrático’ e ‘força do trabalhador’. E então direto através dos anos de Ronald Reagan e tudo depois disso, ninguém mais falou sobre isso. E agora nós estamos falando sobre isso de novo. Isso é bom,” ela continuou.

Reichert foi um membro do Movimento Novo Americano um dos dois grupos que se fundiram para formar o Socialistas Democráticos da América, em 1983.

Na noite seguinte, a três vezes indicada ao Oscar finalmente teve a chance de fazer um discurso de agradecimento, quando “Indústria Americana” ganhou por Melhor Documentário. Durante o discurso, Reichert citou o Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, proclamando na TV ao vivo: “Os trabalhadores tem mais e mais dificuldades nos dias de hoje – e nós acreditamos que as coisas vão melhorar quando ‘trabalhadores de todo mundo uni-vos!’”

No documentário de Reichert, Cao Dewang, um bilionário chinês, adquire uma fábrica de General Motors, em Ohio, fechada em 2008, e a reabre como Fuyao Glass America.

Cao contrata dois mil empregados americanos, entre fanfarra sobre o investimento. Mas enquanto a companhia luta para dar lucro, as condições de trabalho se deterioram entre acelerações e os salários são mantidos tão baixos que alimentam um extensivo esforço de sindicalização.

Esse esforço é sucessivamente combatido pela companhia, que contratou consultores anti-sindicato e ameaçou parar a produção.

O próximo filme de Reichert, como “Indústria Americana”, também codirigido por Steven Bognar, “9to5: The History of a Movement”, conta a história de um grupo de trabalhadoras de escritório de Boston que se organizaram no início dos anos 1970. Vai ser lançado em maio.

Ed Rampell é um historiador e crítico de cinema de Los Angeles.

Tradução: Luciana Cristina Ruy

Fonte: Jacobin

Assista o trailer de Indústria Americana:

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