
90 anos de salário mínimo: presidente Lula e o ministro Luiz Marinho/Foto Ricardo Stuckert
Durante cerimônia que celebrou os 90 anos da criação do salário mínimo no Brasil, realizada nesta sexta-feira (16) na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o valor atual do salário mínimo ainda é insuficiente para garantir os direitos básicos dos trabalhadores brasileiros.
“Não estamos fazendo esse ato de apologia ao valor do salário mínimo. Porque o valor do salário mínimo é muito baixo no Brasil. Estamos fazendo apologia à ideia de um presidente da República que, em 1936, criou a possibilidade de se estabelecer um salário que garantisse aos trabalhadores os direitos elementares”, disse Lula.
Entre esses direitos, o presidente citou moradia, alimentação, educação e liberdade de locomoção, ressaltando que, desde sua criação, o salário mínimo não tem conseguido cumprir plenamente os objetivos previstos em lei.
Novo valor e impacto econômico
Em vigor desde 1º de janeiro de 2026, o novo salário mínimo é de R$ 1.621, representando um reajuste de 6,79% (ou R$ 103) em relação ao valor anterior, de R$ 1.518. O cálculo seguiu a política de correção com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — que acumulou 4,18% em 12 meses — somado ao crescimento do PIB de 3,4% em 2024.
Segundo o Dieese, a atualização deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia, movimentando o consumo, a arrecadação e a renda, mesmo sob restrições fiscais previstas no novo arcabouço fiscal.
Celebração e presença sindical
O evento contou com a presença de autoridades do governo, lideranças sindicais e representantes de movimentos sociais. Entre os participantes estavam o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e presidentes das principais centrais sindicais, como Ricardo Patah (UGT), Sérgio Nobre (CUT), Sonia Zerino (NCST), Antônio Neto (CSB) e Eduardo Annunciato (Chicão), vice-presidente da Força Sindical.
Durante a solenidade, foi lançada uma medalha comemorativa alusiva às nove décadas do salário mínimo, instituído em 1936 e implementado a partir de 1940 como uma das mais importantes políticas de proteção social da história do país.
Sindicatos defendem continuidade da política de valorização
O presidente da UGT, Ricardo Patah, destacou o caráter civilizatório do salário mínimo e o papel do movimento sindical em sua defesa.
“O salário mínimo é uma conquista civilizatória. Ele representa respeito ao trabalhador e compromisso com a justiça social. A UGT sempre esteve na linha de frente dessa luta, defendendo reajustes reais e políticas que garantam poder de compra e qualidade de vida à população”, afirmou Patah.
Patah também defendeu que celebrar os 90 anos da lei é reafirmar o compromisso com o futuro:
“Fortalecer o salário mínimo é fortalecer o Brasil”, concluiu.
Já Chicão, da Força Sindical, ressaltou que a política de valorização do salário mínimo — retomada em 2023 após ser interrompida em 2017 — tem impacto direto na vida dos trabalhadores.
“A valorização do salário mínimo é resultado de luta, organização e decisão política. Ainda não é o ideal, sabemos que está longe de sustentar dignamente uma família, mas mostra o quanto políticas públicas fazem diferença na vida das pessoas”, disse.
Política retomada
Instituída nos governos Lula a partir de 2003, a política de valorização do salário mínimo voltou a vigorar em 2023, garantindo aumentos acima da inflação. De acordo com dados apresentados no evento, se a política tivesse sido mantida sem interrupção, o salário mínimo poderia ter ultrapassado R$ 1.830 em valores atuais.
A cerimônia pelos 90 anos da lei reafirmou o compromisso histórico do movimento sindical e do governo com a valorização do trabalho e a redução das desigualdades. Como resumiu o presidente Lula, o desafio é fazer com que o salário mínimo “volte a cumprir o papel para o qual foi criado: garantir dignidade a quem vive do próprio trabalho”.
Com Agência Brasil
Leia também:
Os 90 anos da lei que instituiu o Salário Mínimo no Brasil



