PUBLICADO EM 20 de out de 2025

ONU pede novo modelo para economia global em transição

Em meio a incertezas e mudanças tarifárias, a ONU defende redesenho do comércio e das finanças para uma economia global mais justa, sustentável e inclusiva

ONU pede novo modelo para economia global em transição

ONU pede novo modelo para economia global em transição

A 16ª Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad16) começou nesta segunda-feira, em Genebra, reunindo mais de 160 delegações nacionais para debater o futuro econômico global.

Durante quatro dias, até 23 de outubro, ministros, especialistas e líderes discutirão como alinhar comércio, finanças, investimento e tecnologia à meta de prosperidade partilhada entre países.

Na abertura, a secretária-geral da Unctad, Rebeca Grynspan, destacou que as premissas do comércio global estão sendo revistas e que a previsibilidade tornou-se escassa.

Ela alertou que o mundo enfrenta “mudanças tarifárias mais drásticas do que em qualquer outro momento recente”, exigindo cooperação e políticas que reduzam desigualdades.

Por outro lado, Grynspan destacou que três quartos do crescimento econômico atual vêm de países em desenvolvimento, impulsionados por energia limpa e inteligência artificial.

A líder da Unctad afirmou que o futuro ainda pode ser moldado, tornando a economia global mais sustentável, inovadora, equitativa e resiliente às crises contemporâneas.

Ela ressaltou que permanecer na defensiva ampliará a dependência de commodities, o endividamento e a exclusão digital, tornando a transição climática mais custosa.

De acordo com Grynspan, o mundo vive uma profunda transição, em que “velhas certezas estão ruindo e novas realidades emergindo”, abrindo espaço para repensar o desenvolvimento.

Ela enfatizou que este é um momento histórico para redefinir o comércio global, fortalecendo o multilateralismo e a cooperação internacional entre países.

A dirigente alertou sobre vulnerabilidades crescentes, como a crise da dívida, o declínio do investimento estrangeiro e a exclusão digital que afeta 2,6 bilhões de pessoas.

Entre as discussões da conferência estão o investimento sustentável, a economia digital, as cadeias de abastecimento e o financiamento do desenvolvimento.

O evento deverá produzir um documento final com propostas para reduzir desigualdades, apoiar países menos desenvolvidos e criar ambientes favoráveis ao investimento.

Grynspan elogiou o esforço coletivo das nações em manter o diálogo, mesmo em tempos de crise, destacando que “a história notará esses gestos de cooperação”.

Ela afirmou que esses esforços evitaram o colapso comercial e tarifário semelhante ao que levou o mundo à recessão nos anos 1930.

A secretária-geral lembrou que, há 61 anos, a Unctad defende o desenvolvimento equitativo e fortalece o multilateralismo global, promovendo prosperidade partilhada.

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