
Entidades e sindicatos se reúnem em Porto Alegre: estratégias para preservar empregos e minimizar impactos das tarifas sobre produtos brasileiros. Foto: Lucas Machado/Divulgação
O Sistema Fiergs reuniu, na última sexta-feira, representantes da Força Sindical, CUT-RS e federações de trabalhadores e empresários para discutir os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O encontro, realizado em Porto Alegre, buscou alternativas para reduzir os efeitos sobre a indústria gaúcha e preservar empregos.
Propostas para o governo federal
Os participantes defenderam a negociação coletiva como estratégia de fôlego às empresas do setor produtivo. Entre as medidas em análise estão antecipação de férias, flexibilização de jornadas e utilização de bancos de horas.
As entidades também anunciaram que vão apresentar propostas ao Ministério do Trabalho e Emprego, incluindo a suspensão de contratos, redução de salários com compensação parcial pelo governo federal e programas de qualificação. A ideia é buscar soluções conjuntas para evitar demissões.
Setores mais afetados
De acordo com Leonardo Rizzi, presidente do Sindimadeira e do Comitê da Indústria de Base Florestal da Fiergs, a situação é especialmente crítica em municípios pequenos, onde a economia depende fortemente da indústria. Já há relatos de empresas impactadas que reduziram turnos e cortaram funcionários.
No setor calçadista, por exemplo, estima-se que cerca de 4 mil empregos estejam em risco. “O sapato exportado aos EUA é um produto de moda, desenvolvido para o consumidor americano. Não é possível redirecionar essa produção com facilidade. Precisamos encontrar soluções para dar fôlego às empresas e evitar demissões”, alertou Renato Klein, diretor do Sindicato da Indústria de Calçados do RS.
Defesa do emprego e da renda
Representantes de sindicatos laborais também destacaram que as medidas não podem se restringir apenas às empresas diretamente atingidas pelas tarifas. Amarildo Cenci, presidente da CUT-RS, defendeu que a prioridade deve ser proteger a renda e garantir a qualificação profissional dos trabalhadores.
“Precisamos defender não só os postos de trabalho, mas também a renda das famílias. Podemos discutir alternativas desde que haja compromisso de investir em empregos de qualidade”, afirmou Cenci.
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