PUBLICADO EM 27 de jan de 2022
COMPARTILHAR COM:
Colunista Professora Francisca

Governo paulista mantém calendário escolar mesmo com aumento de contágios por covid

O cientista Miguel Nicolelis alerta mais uma vez para a necessidade de voltarmos às restrições de circulação de pessoas para conter o avanço da nova variante da covid, a ômicron. Basta olhar os números de contágio por essa nova variante para lhe dar razão. Como ele avisa: é preciso parar agora e provavelmente em pouco tempo possamos retomar as atividades.

Dos jogos de futebol sem público ao controle do funcionamento dos bares, hotéis, cinemas e teatros, além do comércio. Esclarecer em grandes campanhas a necessidade de se continuar usando máscara, manter o distanciamento social e higienizar as mãos a todo momento.

E também dar acesso aos itens básicos de higiene e condições para todas as pessoas sobreviverem bem nestes tempos difíceis.

Os Estados Unidos e o Reino Unido estão com os hospitais lotados. A Europa vem passando por maus bocados. Tudo por causa do grande número de pessoas que não querem se vacinar. De acordo com Nicolelis, há no mundo ao menos 31 países que não vacinaram nem 10% da população, enquanto outros já aplicam a quarta dose, como já estão pensando no Brasil.

Além disso, cresce o número de crianças internadas por covid. O número de pessoas contaminadas também voltou a crescer. Portanto, se não pararmos por algum tempo agora, a situação pode se agravar e colapsar o sistema de saúde novamente.

Só nesta quarta-feira (26), o país confirmou 219.878 novos casos da doença em 24 horas. Além disso, mais de 300 crianças entre 5 e 11 anos já morreram em decorrência do novo coronavírus no Brasil. Nessa situação é necessário a suspensão das aulas presenciais até todas as crianças estarem vacinadas.

Até porque um estudo do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo apurou que, de 53 crianças e adolescentes de 8 a 18 anos que tiveram covid-19 sintomática, quase a metade manifestou sintomas persistentes. Entre estes, dor de cabeça, cansaço, dispneia e dificuldade de concentração. Dores musculares e nas articulações, além de má qualidade do sono, também foram relacionadas. Desse total, 1/4 das crianças continua tendo pelo menos 1 dos sintomas após 3 meses.

É nesse contexto que a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc) mantém o retorno às aulas para o dia 2 de fevereiro, mesmo sem que todas as crianças estejam vacinadas, pondo em risco a saúde de milhares de pessoas, inclusive das próprias crianças.

Seguindo o exemplo de outros países, a Anvisa liberou a vacinação de crianças de 5 a 11 anos em dezembro de 2021, mas o negacionismo do atual presidente da República e a vassalagem do Ministério da Saúde, retardara, o início da vacinação.

Mas com a tamanha confusão criada com essa atitude e as fake news criminosas contra a vacina, muitos pais ficam com medo de vacinar seus filhos, deixando-os à mercê do vírus. É verdade que a maioria das crianças é assintomática, mas podem contaminar as professoras e professores, os funcionários da escola, os pais e outras pessoas.

Para isso, é preciso retomar o ensino remoto com aulas online, superando os problemas do ensino remoto de 2020/2021. É necessário dar condições de trabalho adequadas aos profissionais, com assistência técnica sempre que necessário e dar suporte aos pais para acompanharem o aprendizado de seus filhos. Para não haver tanta defasagem como houve no ano passado.

As crianças e os jovens têm o direito a estudar garantido pela Constituição e os pais o direito de ter mecanismos de acompanhar o aprendizado dos filhos. Ao Estado cabe dar as condições necessárias para que nenhuma criança e nenhum jovem fique sem aula.

Devemos intensificar campanhas para que todas as pessoas tomem logo a vacina e levem seus filhos de 5 a 11 anos para os postos de vacinação. A vacina salva vidas.

Mas precisamos reconhecer a necessidade das escolas melhorarem a infraestrutura para os protocolos necessários para se evitar o contágio pela covid.

As obras necessárias não foram feitas quando as aulas presenciais estavam suspensas e pelo que se vê não farão agora. Então, nas condições atuais é um risco muito grande manter o calendário das aulas presenciais. O governador João Doria se assemelha ao negacionismo do presidente Jair Bolsonaro nesse caso. Ao se recusar a encarar a realidade e seguir as determinações da ciência.

Nenhuma criança sem aula, nenhuma pessoa contaminada. Vacinação já para todas as pessoas acima de 5 anos. A aula remota bem preparada pode dar conta do recado neste grave momento.

Professora Francisca é secretária de Assuntos Educacionais e Culturais do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), secretária de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) e dirigente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

 

As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Rádio Peão Brasil

ENVIE SEUS COMENTÁRIOS

QUENTINHAS